Como fazer o Pastejo Rotacionado - Passo a passo


O manejo correto dos piquetes é o ponto de partida para assegurar a eficiência do pastejo rotacionado. Existem algumas regras básicas a serem seguidas, mas é a experiência e o treinamento que garantem o melhor resultado. A grande dúvida da maioria das pessoas é quanto à definição do número e do tamanho dos piquetes e à adequação desses piquetes a determinado rebanho. Planejar esses pontos é fundamental para o sucesso do manejo rotacionado de pastagens.

O primeiro ponto a observar é a localização dos piquetes em relação à sala de ordenha, o ideal é que a sala de ordenha esteja localizada em posição central em relação aos piquetes, mas isso nem sempre é possível. Como regra básica, deve considerar a distância entre o piquete mais distante e a sala de ordenha não seja maior que 500 m. É desejável que as vacas se exercitem, mas que não percorram distância maior do que 500 m para serem ordenhadas ou para beber água. Se as vacas andarem muito, consumirão energia que poderia ser utilizada para a produção de leite.

Então, para dimensionarmos os piquetes, primeiro devemos calcular o número de piquetes. Utilizando a seguinte formula que está aparecendo aí na sua tela. Número de piquetes é igual ao período de descanso dividido pelo período de ocupação mais um. O período de descanso vai variar de acordo com a espécie de forrageira escolhida, pois casa espécie tem sua capacidade de rebroto, sendo assim, umas espécies demoram mais e outras menos. Já o período de ocupação o mais indicado é um dia, pois assim, os animais sempre comerão a melhor parte da forrageira que é a ponta do capim. Pode utilizar dois dias de período de ocupação, mas vai depender do manejo que se não for correto, pode prejudicar a alimentação dos animais.

Em seguida, temos que calcular o consumo de matéria seca da forrageira dos animais, utilizando a seguinte formula, quantidade de matéria seca ingerida por dia é igual ao numero de animais vezes a média de peso vivo e quantidade de matéria seca ingerida por dia em relação ao peso vivo, sendo que para vacas de leite utilizamos a porcentagem de 1,8 a 2,0 % em pastos tropicais, 2,5% para pastos de clima temperado e 1,1 a 1,8% para pastos de clima semiárido.

Em seguida, para saber quanto alimento na forma de pastagem os animais precisarão por ano, deve-se levar em consideração também as perdas resultantes do pastejo. Elas chegam a cerca de 30%, representadas pela soma das perdas pelo pastejo animal e do resíduo de pasto ao final do pastejo. É preciso considerar também a estacionalidade, ao redor de 10% a 20%, que é a produção da pastagem no inverno. Quando as pastagens são irrigadas, deve-se alterar a estacionalidade, considerando que, sob essa condição, a produção na época seca é maior, variando de 20% a 40%. Desse modo, as fórmulas para o cálculo da necessidade de massa seca por hectare são as seguintes que vão aparecer aí na sua tela. Necessidade de matéria seca na época das águas por hectare é igual a quantidade de pasto ingerido por dia vezes 180 dias dividido por 01 menos a porcentagem da perda de pastejo. Então, se você observou bem, a formula é de apenas da necessidade de matéria seca na época das águas, logo podemos perceber que haverá outra formula para o restante do ano, como aparece aí na sua tela. Necessidade de matéria seca pro ano por hectare é igual a necessidade de matéria eca na época das águas por hectare, dividido por 01 menos a porcentagem da estacionalidade. Pronto, como a produção de forrageira é diferente entre as épocas da seca e épocas das águas, sendo acentuado mais na época das águas, temos que utilizar as duas formulas.

O próximo cálculo é para saber a área total onde vão estar todos os piquetes.

Então , quando se divide a necessidade de massa seca de forragem por ano pela produção de massa por hectare, tem a área total em hectares necessários para comportar todos os piquetes, como vocês estão vendo aí na sua tela. Lembrando que a produção esperada também varia de espécie para espécie, pois cada uma tem a sua produção de matéria seca por hectare. A produção esperada de forragem deve ser alterada em condições irrigadas, à semelhança do que ocorre com a estacionalidade, pois com a adoção da irrigação espera-se aumento de produção. O tamanho do piquete é calculado dividindo-se a área total pelo número de piquetes.

Outro detalhe a observar é o formato dos piquetes. Aconselha-se que o comprimento de um lado do piquete não ultrapasse três vezes o comprimento do outro. Em piquetes estreitos e compridos, o pastejo tende a ser desuniforme, além disso, eles requerem maior quantidade de cercas. Os piquetes quadrados são os mais adequados, por apresentarem melhor relação entre o perímetro, limitado por cerca, e a área de pastagem. Para saber o tamanho de um piquete quadrado, basta calcular a raiz quadrada da área. Assim, lado do piquete em metros é igual a raiz quadrada da área do piquete. Pronto, calculamos tudo que precisava para dimensionar os piquetes para o pastejo rotacionado.

Nos sistemas intensivos de pastejo rotacionado, é muito importante que existam áreas de descanso com sombra, bebedouro e saleiro, para proporcionar conforto aos bovinos. As áreas de descanso ajudam a evitar o estresse térmico, que pode provocar queda na produção de leite e comprometimento da reprodução, com diminuição da taxa de concepção. Podem ser planejadas uma ou duas áreas de descanso, conforme a necessidade, sendo que o sombreamento pode ser natural ou artificial. O tamanho da área com sombra deve ser de 10 m2 por vaca, para que não ocorram acidentes, como animais pisando sobre outros e machucando principalmente tetos e cauda. O sombreamento artificial pode ser feito com sombrite, lembrando que essa tela deve possuir malha de sombreamento de 80%, ou com materiais existentes na propriedade, como bambu e folhas de palmeira. No caso da adoção de sombreamento artificial, deve haver pelo menos duas estruturas de sombra, para realizar rodízio, evitando-se, assim a formação de barro.

O bebedouro e o saleiro também podem ser colocados na área de descanso, em local próximo à sombra, mas não é aconselhável que estejam dentro da área de sombra, porque a presença deles propicia a formação de barro. O bebedouro deve estar preferencialmente centralizado nos sistemas de pastagens rotacionados, observando a distância adequada de caminhamento dos animais. Bebedouros próximos a cada piquete seria a situação ideal.

Os corredores devem ser em nível e variar de 3,6 m de largura para rebanhos pequenos, menores de 50 animais, até 8 m de largura para rebanhos maiores. Corredores localizados próximos à sala de ordenha, onde o fluxo de animais é mais intenso, devem ser mais largos e corredores que levam aos piquetes mais afastados, onde os animais passam esporadicamente, podem ser mais estreitos.

Os corredores devem ser livres de pedras e de outros materiais que possam ferir os cascos dos animais. É necessário realizar sempre a manutenção, para que não haja acúmulo de lama. Corredores que ligam a área de piquetes à sala de ordenha podem ser sombreados com árvores.

A técnica de dimensionamento de piquetes falado até aqui é uma importante ferramenta para o gerenciamento de propriedades em que se pretende adotar o pastejo rotacionado com manejo intensivo, mesmo considerando a dificuldade para prever o conhecimento exato da produção de massa seca das pastagens, porque essa produção depende de muitos fatores e suas interações, tais como características do solo, de clima, de uso de corretivos e fertilizantes e de manejo da planta forrageira.

Até nosso próximo post!

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