Amendoim: do plantio à colheita


Amendoim

Arachis hypogaea L.

Planta herbácea anual, da família Leguminosae, cujas sementes contêm ao redor de 25% de proteína e 45% a 50% de óleo comestível. A espécie é cultivada em diversos países ao redor do mundo, nos Hemisférios Norte e Sul, tanto por pequenos agricultores familiares como por produtores com alto nível tecnológico. Em alguns países asiáticos, a produção de amendoim destina-se à produção de óleo, utilizado em culinária. Em países ocidentais, inclusive o Brasil, o produto é utilizado prioritariamente como alimento, no mercado de confeitaria. A planta de amendoim tem como característica peculiar a produção de frutos subterrâneos.


A flor, uma vez fertilizada, emite um pendão ou esporão (ginóforo) que cresce em direção ao solo, penetrando-o. O ovário fertilizado, localizado na ponta do esporão, desenvolve-se nessas condições, sob a superfície do solo, formando a vagem. A espécie, típica de climas quentes, adapta-se a uma ampla faixa climática em regiões tropicais e subtropicais, com exceção das excessivamente úmidas, e desenvolve-se bem em regiões ou estações de cultivo em que as temperaturas mínimas não fiquem abaixo de 15 oC. Com nível adequado de fertilidade, os solos de textura leve e bem drenados são os preferíveis para o seu cultivo, porém pode ser cultivado também em solos com certo teor de argila.


Plantio: as sementes de amendoim são vulneráveis a infecções por fungos de solo na germinação e emergência; assim, é imprescindível o seu tratamento com fungicidas. A melhor época para o plantio, nas condições climáticas do Estado de São Paulo é entre outubro e novembro. A cultivar IAC Tatu ST pode ser plantada em uma segunda época (fevereiro-março), mas a cultura fica sujeita à estiagem no final do ciclo; não se recomenda o plantio de cultivares rasteira s nesta época.


Espaçamento: para cultivares de porte ereto como a ‘IAC Tatu ST’ o espaçamento médio entrelinhas é 60 cm, podendo haver variações como o plantio em linhas duplas de 20 x 70 cm, com menor densidade na linha. A densidade média populacional deve ser de aproximadamente 250.000 plantas/hectare. Para cultivares rasteiras, o espaçamento entrelinhas deve ser de 90 cm com cerca de 12 a 14 plantas/metro, ou uma densidade populacional de 130.000 a 150.000 plantas/hectare. Para cultivares rasteiras com período de crescimento vegetativo mais longo (maior massa vegetativa no final do ciclo), como é o caso da cultivar IAC 503, bons resultados podem ser conseguidos com menor densidade de plantas na linha (10 plantas), resultando em uma população de 110.000 plantas/hectare.


Preparo do solo: no que facilita a germinação uniforme e a penetração dos ginóforos, bem como beneficia a formação das vagens. O plantio de amendoim sobre palhada de cultura anterior propicia o manejo conservacionista do solo, reduzindo, além da erosão, eventuais efeitos de estiagem, além de propiciar economia de até 30% no custo do preparo do solo. Porém, para se conseguir um bom estande de plantas, é necessário o uso de semeadoras específicas e adequadas para uma semeadura uniforme, evitando que as sementes fiquem retidas na palhada, sem contato com o solo.


Calagem e adubação: a planta de amendoim é relativamente tolerante à acidez, porém requer a aplicação de calcário dolomítico, preferencialmente até dois meses antes da semeadura, a fim de elevar o índice de saturação por bases a 60%. Os benefícios da calagem, além da correção da acidez, estão também relacionados com o

fornecimento de cálcio e magnésio, nutrientes nos quais o amendoim é particularmente exigente. O cálcio não se transloca facilmente das partes vegetativas, sendo absorvido diretamente do solo pelas vagens. Assim, o amendoim pode ser beneficiado com o fornecimento suplementar desse nutriente pela aplicação de 500 a 1.000 kg ha-1 de gesso agrícola por ocasião do florescimento pleno.


O gesso fornece ainda 20 kg ha-1 de enxofre. A planta de amendoim supre na quase totalidade sua necessidade de nitrogênio via fixação simbiótica, por meio de bactérias do gênero Bradyrhizobium sp. A inoculação com estirpes selecionadas mostra-se pouco eficiente em muitos casos, em virtude da competição com populações nativas, presentes no solo. Contudo, como forma de favorecer esse processo simbiótico recomenda-se, no tratamento de sementes, aplicar molibdênio na proporção de 100 g por 120 kg de sementes. A adubação deve ser feita com base em análise do solo. Mas, de forma geral, as fórmulas predominantes para cultivares de alto potencial produtivo são as que fornecem entre 10 e 15 kg ha-1 de N, 90 a 100 kg ha-1 de P2O5 e 30 a 40 kg ha-1 de K2O.


Além do molibdênio (Mo), o zinco (Zn), o boro (B) e o cobalto (Co) são micronutrientes importantes para o amendoim, embora nem sempre os resultados de sua aplicação sejam notados. Normalmente, os fertilizantes formulados contêm micronutrientes Zn (0,3%) e B (0,5%). Caso o requerimento de B seja muito alto, recomenda-se aplicar 1 kg ha-1 do nutriente via ácido bórico (H3BO3, 17% B). Em solos arenosos com baixo teor de matéria orgânica, a aplicação foliar de cobalto e molibdênio pode suprir carências desses nutrientes.


Controle de ervas daninhas: a aplicação de trifluralin em pré-plantio ou pré-emergência controla, principalmente, as plantas daninhas de folhas estreitas (gramíneas), durante a fase inicial do desenvolvimento da cultura. O s−metolachlor, aplicado em mistura com trifluralin, tem seu espectro de ação aumentado, controlando também algumas plantas daninhas de folhas largas; em cultivares de porte ereto, é possível fazer cultivo mecânico, com implemento apropriado, até 40-50 dias da semeadura.


Em cultivares rasteiras, não é recomendável o cultivo mecânico. Para que a cultura permaneça no limpo após o período de ação dos herbicidas pré-emergentes, são necessárias pulverizações com herbicidas em pós-emergência, principalmente em cultivares rasteiras. O bentazon é um produto eficiente para o controle de diversas plantas daninhas de folhas largas que ocorrem no Estado de São Paulo, tais como: Acanthospermum hispidum (carrapicho-de-carneiro), Bidens pilosa (picão preto) Commelina benghalensis (trapoeraba), Raphanus raphanistrum (nabiça) e Sida rhombifolia (guanxuma).


Dados experimentais mostram que o cloransulam é eficiente no controle da trapoeraba. Para o controle de plantas daninhas de folhas estreitas (inclusive plantas voluntárias de cana-de-açúcar) o clethodim, fluazifop-p-butyl, haloxyfop e quizalofop-p-tefuryl, testados experimentalmente em amendoim, mostram bons resultados. Em áreas infestadas com Cyperus rotundus (tiririca) recomenda-se a aplicação de imazapic em pré ou pós-emergência. Este herbicida também controla plantas daninhas de folhas largas, importantes na cultura do amendoim, como Indigofera hirsuta (anileira), Alternanthera tenella (apaga-fogo) e Portulaca oleracea (beldroega), além de controlar algumas de folhas estreitas.


Controle de pragas: o tripes-do-prateamento, (Enneothrips flavens Moulton) é a praga de maior expressão econômica da cultura no Estado de São Paulo; a lagarta-do-pescoço-vermelho (Stegasta bosquella Chambers) também é frequente e pode causar danos significativos às plantas; ambas atacam os brotos (folhas jovens), prejudicando o crescimento da planta. O tripes pode ser controlado quimicamente por meio do tratamento das sementes com tiametoxan ou imidacloprid e, após 30 dias da semeadura, com pulverizações foliares de neonicotinoides ou organofosforados, a cada 15 dias.


Sem o tratamento das sementes, as pulverizações devem iniciar-se aos 10-15 dias após a semeadura. Quando as condições permitem, o controle de tripes pode ser realizado por meio do monitoramento do inseto por amostragens de folíolos, avaliando-se a infestação para determinar a necessidade de aplicação do inseticida. Neste caso, em cultivares eretas, recomenda-se a pulverização quando 30% dos folíolos apresentarem o inseto e, em cultivares rasteiras, quando a infestação for de 40%. No caso da lagarta-do- -pescoço-vermelho, o controle químico é feito com inseticidas à base de piretroides ou organofosforados.


No controle por monitoramento, recomenda-se realizar a pulverização quando o nível de infestação atingir uma lagarta a cada cinco ponteiros amostrados. Outros insetos que podem eventualmente causar danos à parte aérea são cigarrinhas, ácaros e outras espécies de lagartas, controlados, quando do seu aparecimento, com inseticidas apropriados. Infestações de larvas de Diabrotica e percevejos (castanho e preto) podem causar danos às raízes ou às vagens e sementes em formação, no solo. Os danos causados pelas larvas de Diabrotica podem ser prevenidos por meio do controle dos insetos adultos, via foliar.


O percevejo-preto pode causar prejuízos significativos, pois danifica os grãos em formação. Em regiões ou ambientes em que sua ocorrência é frequente, deve-se monitorar o inseto escavando-se o solo a 30 cm, em diversas áreas ao longo da cultura, quando esta estiver na fase de enchimento de grãos; encontrando-se dois insetos, recomenda-se a aplicação de clorpirifós no solo, em jato dirigido.


Controle de doenças: as cercosporioses, Cercospora arachidicola e Cercosporidium personatum, são as doenças mais prevalentes na cultura em São Paulo.


C. arachidicola, ou mancha castanha, ocorre mais cedo durante a fase de crescimento das plantas; C. personatum, ou mancha preta, a mais frequente e de maior importância econômica, progride gradativamente até o fim do ciclo da cultura, podendo causar perdas superiores a 80% na produção, se o seu controle não for feito adequadamente. A ferrugem, causada por Puccinia arachidis, ocorre esporadicamente, mas apresenta um grande potencial de dano, pois os esporos podem propagar-se e reproduzir-se rapidamente.


A verrugose (Sphaceloma arachidis) também é eventual, mas pode causar danos significativos, principalmente em cultivares de porte ereto, se não for controlada eficientemente. As cercosporioses são controladas com pulverizações quinzenais de fungicidas, iniciando aos 40-45 dias da semeadura. Fungicidas à base de clorotalonil são os mais indicados para essas doenças. A ferrugem deve ser controlada quando aparecerem as primeiras pústulas, com duas ou três pulverizações de fungicidas à base de triazóis e estroberulina. A verrugose pode ser controlada com fungicida à base de tiofanato metílico, pulverizando quando do aparecimento dos sintomas (“verrugas” nos ramos e pecíolos foliares). As cultivares IAC 503 e IAC 505 apresentam resistência moderada às cercosporioses, ferrugem e verrugose, possibilitando reduzir o consumo de fungicidas. A rotação de culturas é um eficiente mecanismo de redução das doenças do amendoim, tanto dos fungos da parte aérea como os de solo.


Colheita: na época da maturação, e conhecendo-se o ciclo da cultivar, monitorar constantemente o campo e amostrar plantas observando as vagens e grãos, para definir o melhor momento da colheita. Para a cultivar IAC Tatu ST e outros do tipo Valência, efetuar o arranquio das plantas, quando 70% das vagens apresentarem o característico manchamento escuro em seu interior. Para cultivares rasteiras, iniciar o arranquio quando 60% das vagens apresentarem escurecimento da endoderme (superfície da casca logo abaixo da epiderme).


Em culturas tecnificadas, o arranquio e enleiramento das plantas são realizados por máquinas arrancadoras/invertedoras. Em plantios familiares, efetuar o corte da raiz abaixo das vagens com uma lâmina tracionada por animal ou trator, enleirando as plantas manualmente, com as vagens voltadas para cima. As plantas devem permanecer enleiradas ao sol até secagem completa, quando não há secagem artificial. Havendo secagem artificial, o período de secagem no campo é menor, o suficiente para permitir o despendoamento com a máquina recolhedora.


A secagem artificial pode ser feita em secadores tipo silo ou carretas com fundo perfurado. Em ambos os casos, o ar é forçado entre as vagens depositadas a granel no compartimento de secagem.


Rotação de culturas: o amendoim é eficiente em aproveitar a adubação residual da cultura anterior, além de ser praticamente autossuficiente em nitrogênio, via fixação simbiótica. A cultura também é conhecida pela sua tolerância a diversas espécies e raças de nematoides, contribuindo para reduzir a população desses patógenos em áreas infestadas. Em São Paulo seu cultivo é conduzido, predominantemente, em rotação com cana-de-açúcar e pastagens.


O plantio nas áreas de renovação de cana propicia à cultura principal, entre outros benefícios, a redução da infestação de plantas daninhas, além de deixar resíduos de nutrientes no solo, contribuindo para reduzir os custos de implantação dos canaviais. No caso do plantio em rotação com a cana, é necessário que as cultivares de amendoim sejam de ciclo compatível com a duração do período de renovação do canavial.


Controle preventivo da aflatoxina: a aflatoxina é uma substância tóxica cancerígena para seres humanos e animais, que pode estar presente no amendoim e seus derivados; ela é produzida por fungos do gênero Aspergillus e Penicillium, que sobrevivem naturalmente no solo e podem infectar o amendoim e produzir a toxina, tanto antes como depois da colheita, bem como durante o armazenamento.


As infecções por esses fungos, quando o amendoim ainda está no solo, são especialmente favorecidas por períodos de estiagem durante a fase de maturação das vagens; assim, regiões muito propensas a déficit hídrico devem ser evitadas; em contrapartida, o uso de irrigação propicia condições favoráveis para a produção de amendoim com qualidade, além das práticas preventivas a serem seguidas.


Para a produção de amendoins isentos dessa toxina, diversas medidas devem ser adotadas: a) controlar pragas e doenças das plantas, para produzir vagens sadias e resistentes a esses fungos; b) colher o amendoim quando estiver plenamente maduro e, após o arranquio das plantas, enleirá-las com as vagens voltadas para cima, sem contato com o solo; c) secar o amendoim colhido até que a umidade dos grãos seja reduzida para 8%; d) em sistemas tecnificados, o uso de secadores artificiais é a prática recomendada, enquanto em pequenas produções familiares, a secagem das vagens depois de retiradas das plantas, pode ser feita eficientemente em terreiro; e) nunca ensacar, empilhar ou armazenar amendoim com mais de 8% de umidade; f) após o descascamento, proceder a seleção dos grãos, retirando os danificados, chochos, imaturos ou de má aparência.


Para maior garantia da sanidade do produto, recorrer a laboratórios especializados em análise de aflatoxina; os consumidores devem adquirir, preferentemente, produtos que apresentem selo ou certificado de qualidade.


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