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Pêssego: do plantio à colheita

October 9, 2019

 

Pêssego

(Prunus persica Batsch)

 

 O pêssego (Prunus persica) é uma espécie originária da China, cultivada desde a antiguidade. Os primeiros plantios no Brasil iniciaram-se com a chegada dos colonizadores europeus. No entanto, como atividade de interesse econômico, a cultura do pêssego no Estado de São Paulo teve início na década de 30 do século passado, primeiramente nas regiões serranas do estado. Esta frutífera cultivada é conhecida como espécie que requer um período de repouso hibernal sob ambiente de frio durante dois a três meses, para estimular a brotação de gemas e florescer com regularidade e vigor na primavera.

 

As variedades de pêssego comercialmente cultivadas nas regiões tradicionais da Europa, EUA e Japão têm, em geral, uma exigência de frio equivalente a um total acumulado de, aproximadamente, 850 horas de temperaturas abaixo de 7,2 °C, o que se convencionou chamar, horas de frio. Esta é a principal razão pela qual as variedades trazidas das principais áreas produtoras do exterior, selecionadas para as condições de inverno que lhes são peculiares, não se adaptam ao clima ameno do Estado de São Paulo.

 

O Instituto Agronômico foi pioneiro na implantação de um programa de melhoramento genético de pêssego e nectarina, tendo iniciado seus trabalhos em 1950. A base genética para os cruzamentos era proveniente de variedades originadas na Flórida e de material propagado por sementes trazidas pelos colonizadores europeus. Apesar de suas características de fruteiras de clima temperado, vem sendo cultivado em áreas de clima subtropical, graças ao desenvolvimento de variedades com menor exigência de horas de frio para a quebra de dormência necessária para o florescimento.

 

Felizmente, a exigência de frio difere de acordo com as variedades, existindo aquelas originárias de regiões mais quentes, que satisfazem mais facilmente suas necessidades de hibernação, adaptando-se bem às condições de clima ameno. As primeiras seleções foram feitas pelos produtores, e apesar de terem sido realizadas de forma empírica, impulsionaram o desenvolvimento do setor nas primeiras décadas de cultivo. A partir da década de 30, o Instituto Agronômico (IAC) iniciou uma série de introduções de variedades desenvolvidas, principalmente, na Flórida (EUA) e que foram a base do programa de melhoramento genético desde então. Até os dias atuais, foram selecionadas 32 variedades de pêssego pelo Instituto Agronômico, além dos materiais introduzidos e adaptados às nossas condições climáticas. No Estado de São Paulo a produção de pêssegos destina-se ao consumo in natura, com tendência ao crescimento, sobretudo com base nas cultivares precoces.

 

Mudas e plantio: utilizam-se sementes para a propagação do porta-enxerto, sendo mais utilizada no Estado de São Paulo a cultivar Okinawa, por apresentar resistência aos nematoides de galhas. O plantio pode ser realizado com mudas de raiz nua, no período de julho e agosto, e no caso de mudas formadas em recipientes, pode-se fazer o plantio em qualquer época do ano, de preferência na estação das águas, no período de outubro a dezembro.

 

Espaçamento: 6 x 4 m a 7 x 5 m para plantios convencionais, utilizando-se a condução em vaso; 5 x 2 m a 4 x 1 m para plantios adensados, utilizando-se a condução em Y.

Mudas necessárias: 285 a 417 plantas por hectare na condução em vaso; 1.000 a 2.500 plantas por hectare na condução em Y.

 

Controle da erosão: em áreas com declividade até 20% recomenda-se o plantio em nível, com as linhas de plantio perpendiculares à declividade do terreno; em áreas com declive acima de 20% recomendam-se outras práticas conservacionistas como terraços, camalhões, patamares ou banquetas; utilização de roçadeira no período das águas, mantendo-se a cobertura vegetal; cobertura morta do solo.

 

Calagem: antes da implantação do pomar, deve-se aplicar calcário em área total, de acordo com a análise do solo, para elevar a saturação por bases a 70% utilizando-se, preferencialmente, o calcário dolomítico. Manter o teor magnésio do solo acima de 9 mmolc dm-3. Deve-se incorporar o calcário o mais profundamente possível. Na manutenção do pomar, a calagem também deve ser aplicada em área total.

 

Adubação de implantação: com antecedência mínima de 30 dias ao plantio, aplicar por cova 10 kg de esterco de curral ou 3 kg de esterco de galinha, 200 g de P2O5 e 60 g de K2O, em mistura com o solo da camada de 0 a 30 cm de profundidade. A partir da brotação das mudas, aplicar em cobertura ao redor da planta 60 g de N em quatro parcelas de 15 g, de dois em dois meses.

 

Adubação de formação: compreende a adubação realizada do segundo ao quarto ano após o plantio das mudas. Aplicar anualmente 15 kg de esterco de curral ou 4 kg de esterco de galinha, juntamente com a adubação mineral, de acordo com a análise do solo e idade das plantas, com doses de 100 a 400 g/planta de N, 40 a 480 g/planta de P2O5 e de 40 a 480 g/planta de K2O. Deve-se aplicar em covas próximas às plantas, nos meses de junho e julho, a quantidade total de P2O5 juntamente com a matéria orgânica. As doses de N e de K2O devem ser aplicadas em quatro parcelas, a partir do início da brotação.

 

Adubação de produção: a partir do 5.o ano, recomenda-se aplicar anualmente 3 t ha-1 de esterco de galinha ou 15 t ha-1 de esterco de curral curtido e a adubação mineral de acordo com a análise do solo e a meta de produtividade, com doses de N, P2O5 e K2O variando de 90 a 180 kg ha-1, 20 a 120 kg ha-1 e 30 a 150 kg ha-1, respectivamente. Esta adubação deve ser parcelada em três vezes. Após a colheita, distribuir o esterco, 100% da dose de fósforo e 50% da dose de potássio, na projeção da copa no solo, e em seguida, misturá-los com a terra da superfície. Dividir o nitrogênio em quatro parcelas, aplicadas em cobertura, de dois em dois meses, a partir do início da brotação.

 

Observação: Para plantios adensados, aplicar os adubos no pomar em formação e no adulto de modo similar aos plantios convencionais, reduzindo as dosagens proporcionalmente à área ocupada por planta.

 

Irrigação: indispensável em períodos de estiagem, sendo realizada preferencialmente por aspersão, microaspersão ou gotejamento. A aspersão sobre copa tem efeitos positivos na manutenção da umidade relativa do ar, o que favorece o pegamento dos frutos e a prevenção de danos ocasionados por geadas. A utilização de cobertura morta na linha de plantio auxilia na manutenção da umidade do solo próximo a planta.

 

Poda de formação e de produção: as mudas são plantadas com haste única. A poda de formação objetiva definir a estrutura produtiva da planta, com a formação das pernadas principais e secundárias. No sistema de vaso aberto, o desponte das mudas no campo deve ser realizado a 50 cm do solo para a formação de 3 a 4 pernadas em direções opostas e em diferentes pontos de inserção no caule.

 

Devem-se eliminar o ramo próximo ao solo e os ramos mal posicionados ou fracos. Os ramos devem ser arqueados visando mantê-los a 50o em relação ao solo. No inverno do ano seguinte, devem-se encurtar as 1/3 das pernadas principais, deixando no ápice dois ramos voltados para o exterior. Essa poda deve ser realizada até o terceiro ano após o plantio. A poda de produção, realizada a partir do 3.o ano após o plantio, é realizada no período de maio a julho, devendo-se eliminar ramos supérfluos, mal posicionados e voltados para baixo, doentes, praguejados e secos. Os ramos que permanecem na planta devem ser encurtados.

 
Outros tratos culturais: Tutoramento das plantas com estacas de bambu.
 

Controle de plantas daninhas: capinas superficiais, roçadas, utilização de cobertura morta e herbicidas pós-emergentes.

 

Superação de dormência das gemas: visando a antecipação e uniformização da brotação, utilizando-se cianamida hidrogenada, antes do intumescimento das gemas, com doses de 0,3% a 0,8% adicionando óleo mineral a 1%, em função da variedade e da região de cultivo.

Raleio de frutos: visando o aumento do peso dos frutos remanescentes e a uniformidade de maturação, bem como evitar problemas de alternância de produção, devendo-se ser realizado quando os frutos tiverem 1 a 2 cm de diâmetro, cerca de 30 a 40 dias após o florescimento, mantendo 1 a 3 frutos por ramo, distanciados em 10 cm.

 

Ensacamento de frutos: visando o controle de mosca das frutas e obtendo-se frutos de melhor qualidade. Poda de renovação após a colheita: eliminando ramos que já produziram e encurtando ramos do ano, deixando com duas gemas na base. Manutenção de alguns ramos enfolhados oriundos das pernadas principais, evitando danos pelo excesso de sol.

 

Principais pragas e controle: a seguir apresentamos uma lista de pragas que comumente atacam o pessegueiro e seus controles: mosca-das-frutas (trimedlure - armadilha, deltametrina, pupa estéril de macho de Ceratitis capitata linhagem  tsl,malationa); mariposa oriental (clorantraniliprole, álcool laurílico - armadilha, (z)-8-dodecenol, deltametrina, fosmete, acetato de (E)-8-dodecenila + (Z)-8-dodecenol + acetato de (Z)-8-dodecenila - armadilha, novalurom, etofenproxi); broca do ponteiro; ácaro rajado (abamectina; enxofre); tripes; cochonilha branca (óleo mineral.); piolho de São José ou cochonilha de São José (óleo mineral); lagarta-das-fruteiras; pulgões (tiametoxam).

 

Controle: o período crítico do ataque de tripes vai do florescimento ao pegamento de frutos, recomendando-se pulverizações preventivas com inseticidas de contato. Para a mosca-das-frutas recomendam-se o ensacamento de frutos, o uso de armadilhas e de iscas tóxicas (malationa com melaço) e pulverizações com inseticidas (deltametrina e malationa).

 

O controle da mariposa oriental pode ser realizado através de armadilha contendo feromônio sexual sintético, além de pulverizações com inseticidas registrados no MAPA (disponível para consulta no Agrofit). Devido às aplicações de inseticidas para controle da mosca-das-frutas e da mariposa oriental pode ocorrer um desequilíbrio entre a população de ácaros predadores e fitófagos causando o aumento populacional do ácaro rajado (óleo mineral). Devido à carência dos acaricidas registrados para a cultura do pessegueiro, é recomendado que o tratamento seja realizado após o termino da colheita. O tratamento de inverno com calda sulfocálcica auxilia no controle de pragas, especialmente de cochonilhas.

 

Principais doenças e controle: a seguir apresentamos uma lista de doenças que comumente atacam o pessegueiro e seus controles: podridão parda (fluazinam, iminoctadina, diclorana, captana, óxido cuproso, tebuconazol, mancozebe + oxicloreto de cobre, ditianona, mancozebe, dodina, folpete, enxofre, mancozebe, fluquinconazol, oxicloreto de cobre, iprodiona, difenoconazol, procimidona, triforina, procimidona); ferrugem (ciproconazol, azoxistrobina, tebuconazol, mancozebe, enxofre); furo de bala; sarna (captana, folpete, enxofre, mancozebe + oxicloreto de cobre); gomose; bacteriose e antracnose (ditianona, triforina, captana).

 

Recomenda-se o tratamento de inverno com calda sulfocálcica nos meses de maio e junho, pulverização preventiva com fungicidas de contato, especialmente no florescimento e no amadurecimento dos frutos, visando o controle de podridão parda; início da abertura do botão floral até o início da frutificação, e práticas culturais visando propiciar maior aeração no interior da copa, como a prática da poda verde, a eliminação dos ramos podados e de frutos danificados. É recomendada a aplicação de fungicidas de contato (mancozebe ou captana) após as podas de produção e poda verde, para proteção dos ferimentos evitando infecções fúngicas e bacterianas. Fatores nutricionais (deficiência ou excesso) e estresse hídrico podem debilitar a planta, aumentando a incidência de patógenos.

 

Colheita: período de setembro a fevereiro, porém no Estado de São Paulo, grande parte da colheita ocorre de agosto a novembro, anteriormente à oferta de pêssegos do Rio Grande do Sul, que concentra a produção nos meses de novembro a janeiro. A produção comercial ocorre a partir do 3.o ano de instalação do pomar. A colheita deve ser realizada nas horas mais frescas do dia, mantendo as frutas colhidas na sombra, antes de serem transportadas para a embalagem.

 

Os frutos são colhidos manualmente, no estádio de vez. Os principais parâmetros utilizados para colheita são a coloração da epiderme e a consistência dos frutos.

 

Produtividade normal: 15 a 30 t ha-1 de frutos, em pomares adultos racionalmente conduzidos e conforme o espaçamento.

 

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