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A cana-de-açúcar: do plantio à colheita

October 3, 2019

 Cana-de-açúcar

 

 

 

A cana-de-açúcar é uma cultura semiperene, pois após o plantio, ela é cortada várias vezes antes de ser replantada. Seu ciclo produtivo é, em média, de seis anos com cinco cortes. As principais tecnologias com potencial de contribuição para a produtividade e sustentabilidade da cana-de-açúcar estão associadas com o melhoramento genético, o gerenciamento agrícola, as técnicas de plantio, os tratos culturais e a colheita.

 

A fase do plantio é constituída das seguintes operações: eliminação da soqueira (ou limpeza do terreno, se for o caso de uma área nova), subsolagem, calagem, gradagem ou aração, terraceamento, sulcação, distribuição de torta de filtro e adubo, distribuição de mudas, cobrimento de mudas, pulverização de herbicida e quebra de sulco.

 

Essas operações são realizadas com o auxílio de equipamentos e implementos específicos. A operação de distribuição de mudas é feita ainda manualmente na maioria dos casos, mas a mecanização tem avançado nos últimos anos. Existem duas opções de utilização para a época de plantio da cana:

  • Cana de 12 meses: a cana é plantada pouco tempo após a última colheita e será colhida no ano seguinte; nesta opção, a terra será sempre cultivada com cana, mas a produtividade é mais baixa, por isso ela só é adotada em cerca de 20% dos casos;

  • Cana de 18 meses: após a última colheita do canavial, a terra fica vários meses descansando ou recebe uma cultura de rotação de amendoim, soja, girassol ou algum vegetal que ajude a nitrogenar o solo; neste caso, a produtividade do primeiro corte é muito mais alta, mas haverá um espaço de cerca de dois anos entre o último corte do ciclo anterior e o primeiro corte do novo ciclo.

Após o primeiro corte, que corresponde à chamada cana-planta, o canavial é colhido em média mais quatro vezes (cana soca) a partir da rebrota da cana cortada (soqueira). Na tabela é apresentado um ciclo típico, representado por valores médios de cerca de 100 usinas da região Centro-Sul, nas safras de 1998/99 a 2002/03.

 

Ciclo padrão de corte da cana
 

Corte Produtividade em Área colhida (t/ha)

1º Cana-planta (18 meses)
1º Cana-planta (12 meses)113 (80%)
77 (20%)
*Média 105,8

2º (1a. soca)90,0

3º (2a. soca)78,0

4º (3a. soca)71,0

5º (4a. soca)67,0

Média de cinco cortes82,4 t/ha

Fonte: I.C. Macedo et al (2004)

 

Assim, a produtividade média em área colhida é de 82,4 t/ha, e em área plantada (5 cortes, 6 anos) é de 68,7 t/ha/ano.

 

De maneira geral, a produtividade agrícola da cana-de-açúcar apresenta uma acentuada variabilidade que ocorre em função de diversos fatores, como é o caso das características da variedade plantada, da composição e quantidade do adubo aplicado, das propriedades físico-químicas do solo, do manejo das pragas e plantas invasoras, da disponibilidade hídrica e das técnicas de plantio, tratos culturais e colheita adotada.

 

A complexidade dos fenômenos biológicos e físicos que participam da interação entre a planta, o solo e o ambiente fazem com que o gerenciamento dos referidos fatores exija recursos para a captação e análise de uma elevada quantidade de dados. Desse modo, com a utilização da tecnologia da informação, auxiliada pela agricultura de precisão na geração dos bancos de dados, é possível extrapolar para as extensas áreas de expansão da cana-de-açúcar o know how de experientes profissionais do setor sucroalcooleiro, que ao longo de anos de observação e análise conseguiram obter excelentes resultados.

 

Trato cultural da soqueira

 

As operações de trato da soqueira dependem do tipo de colheita e situações específicas do canavial. As principais são: enleiramento do palhiço (no caso de corte de cana crua), cultivo e adubação de soqueiras e aplicação de herbicidas. A aplicação de adubos depende das condições do solo, produtividade do canavial e outros fatores; o uso da vinhaça (soqueira) e da torta de filtro (plantio) reduz a necessidade de adubos químicos e melhora o teor de matéria orgânica dos solos.

 

A vinhaça, ou vinhoto, é um resíduo industrial que, em meados da década de 1970, era lançado em corpos d’água (como riachos, rios e canais abertos), provocando prejuízo ambiental. Após estudos, verificou-se que a vinhaça apresenta grande concentração de nutrientes (como potássio, matéria orgânica, nitrogênio), o que estimulou o aproveitamento desse resíduo nas lavouras de cana para aumentar a produtividade dos canaviais e trazer benefícios econômicos e ambientais.

 

A tabela indica valores médios do uso de fertilizantes. Situação 1 e Situação 2 indicam a Taxa de Aplicação (kg/ha) sem e com aplicação de vinhaça (soca) e torta de filtro (planta).

 

MacronutrienteCana plantaCana soca 

Situação 1Situação 2Situação 1Situação 2

Nitrogênio-N30- 8090

Fósforo-P O120 50 25 -

Potássio-K O 120 80 120-

Fonte: CTC (2004)

 

Controle biológico de pragas

 

As principais pragas da cana-de-açúcar no Brasil são a broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis), o besouro migdolos (Migdolus fryanus), a cigarrinha (Mahanarva fimbriolata) e os nematoides. As lagartas desfolhadoras, as formigas cortadeiras e os cupins também atacam a cana, mas seus controles já são bem dominados e os prejuízos são mantidos em níveis baixos.

 

A broca da cana-de-açúcar, nos primeiros anos do Proálcool, causava enormes prejuízos nos canaviais, onde níveis de infestação acima de 10% eram comuns. Na primeira metade da década de 1980, foi intensificado o controle biológico pela da liberação nos canaviais de parasitoides que são predadores da broca. O principal parasitoide utilizado é a vespa Cotesia flavipes e este tipo de controle reduziu os níveis de infestação para menos de 3%, nível que vem sendo mantido desde o início da década de 1990.

 

A ocorrência da cigarrinha nos canaviais tem aumentado com o crescimento da colheita de cana sem queima. Os estragos causados por esta praga podem atingir a média de 15 t/ha/ano, além da redução de 1,5% no teor de açúcar (UNICA, 2005).

 

O controle biológico mais eficiente é pelo fungo Metarhizium anisopliae e seu uso tem se expandido rapidamente.

 

As demais pragas são controladas pelo uso de inseticidas, iscas tóxicas e nematicidas.

 

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