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Figo: do plantio à colheita

September 24, 2019

 

Figo

Ficus carica L.

 

Ficus Carica L., da família Moraceae, é o nome botânico da figueira, cultivada comercialmente em todo mundo. Em termos comerciais, no Brasil predomina praticamente a exploração de apenas uma única cultivar, denominada ‘Roxo de Valinhos’. Essa cultivar foi introduzida por imigrantes italianos e, mundialmente, é conhecida também como ‘Roxo’ e ‘Brown Turkey’. Essa cultivar demonstrou boa adaptação às condições brasileiras, pois é cultivada tanto em regiões de clima temperado, como Rio Grande do Sul, como em climas subtropicais quentes e no nordeste brasileiro, nos Estados da Bahia e do Ceará, dentre outros. O cultivo de figos teve início com a introdução da cultivar na região de Campinas (SP), principalmente no município de Valinhos, no ano de 1910, com estacas introduzidas pelo imigrante italiano Lino Buzatto.

 

A expansão das áreas cultivadas nessa região ocorreu juntamente com a de outras fruteiras, como a macieira e a videira, com o declínio do cultivo do cafeeiro, concomitantemente ao aumento da população nas áreas urbanas, a exemplo das cidades de São Paulo e Campinas. Entre as décadas de 50 e 60 do século XX, pesquisas agronômicas realizadas pelo Instituto Agronômico (IAC), propiciaram manejos culturais que permitiram ampliar o período da safra da fruta, que passou de dois meses ao ano, para uma colheita entre seis e oito meses.

 

Atualmente, com podas e irrigação, colhe-se praticamente o ano todo. As plantas apresentam porte arbustivo nos pomares paulistas, conduzidas sob poda drástica. As frutas destinam-se ao consumo ao natural ou à industrialização, como doces em calda (verdes e inchados), figada, figos cristalizados ou secos, do tipo rami.

Cultivar: Roxo de Valinhos ou clonal similar; Pingo de Mel (branco).

 

Clima e solo: ainda que se desenvolva adequadamente em regiões de clima temperado, apresenta alta capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas, tolerando temperaturas até 42 °C. No entanto, regiões propensas a geadas tardias podem desfavorecer o cultivo, danificando as frutas e os ramos mais jovens. As plantas são sensíveis à estiagem prolongada e ao excesso de umidade. Quanto aos solos, dar preferência aos bem drenados, aerados e com bom teor de matéria orgânica.

 

Mudas e plantio: para a formação de pomares comerciais, recomenda-se a utilização de estacas enraizadas. As estacas devem ser coletadas na execução da poda de produção, realizada entre os meses de junho e julho. Padronizar as estacas em 20 cm de comprimento, enterrando-as na posição vertical em sacolas plásticas, aprofundadas até metade de seu comprimento. As sacolas plásticas devem ter capacidade de pelo menos três litros de substrato e altura de 30 cm. O substrato deve ser poroso e umedecido periodicamente. Outra opção é o plantio de estacas lenhosas diretamente na cova de plantio. Nesse caso, utilizar estacas de 40 cm de comprimento, coletadas na poda de produção, enterrando-as totalmente na cova de plantio.

 

Espaçamento: para a produção de figos maduros, destinados ao mercado de fruta fresca, são utilizados espaçamentos de 3,0 x 2,0 m ou 2,5 x 2,5 m e para produção de figos verdes, destinados à indústria, utilizam-se espaçamentos de 2,5 x 1,5 m.

 

Mudas necessárias: 1.660 ou 1.667/ha (produção de figos maduros) e 2.667/ha (produção de figos verdes).

 

Controle da erosão: plantio em nível ou cortando as águas; patamares ou banquetas, em terrenos de maior declividade; manutenção das ruas vegetadas, apenas roçadas e utilização de cobertura morta nas linhas de plantio.

 

Calagem: realizada com base em análise química de amostras de solo coletadas de forma adequada, tem por objetivo elevar a saturação de bases a 70%, observando os níveis adequados de magnésio.

 

Adubação: plantio - cada cova deve receber pelo menos 8 a 10 litros de esterco de curral curtido ou 3 kg de esterco de galinha ou ainda 5 kg de composto, 500 g de calcário, 60 g de P2O5 e 30 g de K2O. Após início da brotação, aplicar quatro doses de 15 g de N a cada 2 meses; formação - do primeiro ao quinto ano, fornecer anualmente de 40 a 160 gramas de N, 20 a 200 gramas de P2O5 e 20 a 240 gramas de K2O por planta, com base na análise do solo e na idade das plantas; produção - fornecer anualmente de 140 a 280 kg de N, 40 a 200 kg de P2O5, 40 a 240 kg de K2O por hectare, com base na análise do solo e na produtividade estimada.

 

As adubações de produção devem ser parceladas durante o período chuvoso em 3 vezes, no mínimo. Além disso, recomenda-se o fornecimento anual de 3 t ha-1 de esterco de galinha ou 15 t ha-1 de esterco de curral curtidos, aplicados antes da poda de inverno.

 

Podas: em figueiras, pela precocidade da produção e a frutificação nos ramos do ano, as podas de formação e produção são de difícil distinção. De qualquer forma, considera-se que a formação da planta segue até quatro a cinco anos após o plantio. Formação: após o plantio, seleciona-se uma brotação vigorosa que irá formar o tronco da planta e esta será despontada a 40-50 cm do solo, induzindo novas brotações, das quais selecionam-se três, eliminando-se as demais.

 

Esses três ramos, de onde partirão novas brotações, serão podados a 20 cm do tronco no inverno seguinte. É feita a seleção de duas brotações vigorosas em cada ramo, formando seis novas ramificações que, no inverno seguinte, serão podadas a 15 cm de suas respectivas inserções, dando origem a 12 ramos selecionados, que passarão pelo mesmo procedimento e sequência, até o quarto/quinto ano. Para produções destinadas ao mercado de frutas frescas, geralmente são deixados na planta entre 12 e 14 ramos, enquanto para os figos destinados à indústria, são deixados entre 18 e 20 ramos.

 

Frutificação: a frutificação irá ocorrer na inserção das folhas com o ramo, na medida em que este se desenvolve. É de fundamental importância manter as folhas nas plantas para que os frutos possam apresentar o desenvolvimento desejado, pois a queda prematura de folhas, causada principalmente por doenças, afeta o desenvolvimento dos frutos. A esse respeito, deve-se dar especial atenção aos cultivos destinados à produção de figos maduros para mesa.

 

Irrigação: recomendável nos períodos secos do ano, de preferência microaspersão. A utilização de cobertura morta, sob as copas ou por toda a linha de plantio, favorece a manutenção da umidade do solo, além da disponibilização de nutrientes e controle de plantas invasoras. O manejo da irrigação pode ser utilizado, em alguns casos, para o escalonamento da produção.

 

Outros tratos culturais: desbrotas mensais, visando manutenção de haste única, arejamento e insolação da copa.

 

Pragas e doenças: a principal praga da figueira é a “mosca-do-figo” (Zaprionus indianus) e além desta ocorrem a broca-dos-ramos, a broca-da-figueira ou broca-dos -ponteiros (Azochis gripusalis).

 

Podem ocorrer também coleobrocas, cochonilhas, ácaros e cigarrinhas. Quanto a doenças, a ferrugem (Phakopsora fici, anteriormente classificado como Cerotelium fici), antracnose (Colletotrichum gloesporioides) e murcha ou seca da figueira (Ceratocystes frimbriata) são as principais; nematoides também são muito prejudiciais à cultura.

Controle de pragas e doenças: deve-se respeitar a legislação vigente relativa ao uso de defensivos agrícolas, quanto ao agente biológico e a cultura, atentando-se para as recomendações do fabricante.

 

Colheita, armazenamento e comercialização: as colheitas iniciam-se em outubro (figos verdes) e novembro (figos maduros), estando concentradas entre os meses de novembro a abril. A partir do 2.o ano de instalação do pomar, é possível alcançar colheitas comerciais, que são feitas diariamente, de forma manual no caso de frutos maduros e uma a duas vezes por semana quando inchado ou verde, conforme a destinação do produto.

 

Os figos maduros devem ser colhidos com cuidado, mantendo-se o pedúnculo, e em seguida devem ser depositados com delicadeza nos cestos de coleta, que devem ser forrados com palha, algodão ou espuma fina, para não permitir danos mecânicos aos figos, pelo atrito. O ponto de colheita das frutas destinadas à mesa deve ser o de vez, pois neste estádio são mais resistentes ao manuseio pós-colheita.

 

Esse ponto é reconhecido quando o figo começa a perder sua consistência dura e a película começa a apresentar cor arroxeada para as cultivares roxas e coloração verde-amarelado para as cultivares brancas. As frutas, quando utilizadas pela indústria para produção de figo em calda, figo tipo rami, bem como de doces para corte, são colhidas 20 a 30 dias antes dos figos de mesa e devem ser colhidas quando a cavidade central estiver completamente cheia. Por ser uma fruta altamente sensível ao manuseio, o figo deve ser acondicionado o mais rapidamente possível, em caixas definitivas destinadas ao mercado.

 

O sistema usual de comercialização consiste em uma embalagem principal de madeira ou papelão, e dentro desta, três outras embalagens de papelão, nas quais as frutas, em número de oito, são devidamente acomodadas em camada única. A ocorrência de rachaduras no ostíolo e ferimentos nas frutas maduras possibilita a penetração de fungos, causando podridões. A faixa de temperatura ideal para o armazenamento de figos de mesa é de 0 a 4 oC e de 85% a 90% de umidade relativa do ar. Essas condições permitirão a conservação das frutas por até 10 dias.

 

Porém, quando transferidas para a temperatura ambiente, perdem rapidamente a qualidade, devendo ser consumidas no mesmo dia. O uso de bandejas plásticas recobertas com polietileno (espessura de 50 µm) permite a manutenção da qualidade dos figos por 35 dias de armazenamento, a 1 oC.

 

Produtividade normal: nas condições paulistas, de 20 a 22 t ha-1de frutos maduros ou inchados, ou 10 t ha-1 de frutos verdes, em pomares adultos racionalmente conduzidos.

 

 

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