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Caqui: do plantio à colheita

September 20, 2019

Caqui

Diospyrus kaki
 

 

O caquizeiro pertence à família Ebenaceae que possui cerca de 2.000 espécies subordinadas a cinco gêneros. Dentre eles, destaca-se o gênero Diospyros. As espécies mais utilizadas comercialmente são a Diospyros kaki para produção de frutos e para porta-enxertos, e as espécies D. virginiana e D. lotus, que são utilizadas como porta-enxertos. As variedades comerciais de caqui são divididas em três grupos: Sibugaki ou taninosos, Amagaki ou não taninosos e Variáveis.

 

Grupo Sibugaki ou taninoso - frutos de coloração amarelada, apresentam sabor adstringente em função do teor de tanino, independentemente da presença ou ausência de sementes. Necessitam de um processo de destanização para o consumo. As principais variedades são Pomelo, Taubaté e Rubi. Variedade Pomelo (IAC 6-22): as plantas são vigorosas e bastante produtivas, produzindo muitas flores masculinas.

 

Produzem frutos grandes e globosos, de peso médio 160 gramas, com polpa de coloração alaranjada, ligeiramente avermelhada, de bom sabor e sementes em grande quantidade. A colheita é precoce, realizada em janeiro e fevereiro, representando uma alternativa para as regiões mais quentes; Variedade Taubaté: plantas vigorosas, produtivas e rústicas, porém muito sujeitas ao quebramento dos galhos quando sobrecarregados, necessitando de escoramento dos ramos.

 

 

A polpa é firme, alaranjada e doce, e a epiderme apresenta coloração variando entre alaranjado e vermelho. A colheita ocorre entre abril e junho. Não necessita de destanização, apresentando boa conservação pós-colheita, sendo uma cultivar ideal para a exportação; Variedade Jiro: planta de clima ameno, apresenta porte médio e produção ligeiramente inferior à Fuyu, sendo exigente em tratos culturais e, sem os quais não frutificam satisfatoriamente.

 

 

Grupo Variável - os frutos apresentam polpa amarela e taninosa quando sem sementes, e polpa escura e parcialmente ou integralmente não taninosa, quando apresentam sementes. Quando as sementes são numerosas a polpa é de coloração escura, enquanto nos frutos com poucas sementes, a tonalidade escura aparece ao redor delas, originando o que popularmente é chamado de “chocolate”. As principais variedades deste grupo são Rama Forte, Giombo e Kaoru.

 

Variedade Rama Forte: plantas vigorosas, pouco exigentes em frio e bastante produtivas, necessitando de escoramento de ramos. Produzem frutos de tamanho médio, de 150 gramas, achatados, de sabor bastante agradável, apresentando consistência firme após a destanização, resistindo ao transporte. O período de colheita é entre março e maio; Variedade Giombo: plantas muito vigorosas e produtivas, necessitando de desbaste de frutos. Produz frutos de peso médio 140 gramas e formato ovoide, que quando sem sementes apresentam a polpa amarela e bastante taninosa, e quando com sementes são do tipo chocolate, sem adstringência.

 

Plantio: o plantio pode ser realizado utilizando-se mudas de raiz nua ou de torrão. Para mudas de raiz nua a época ideal de plantio é de julho a agosto. Para mudas de torrão, o plantio deve ser realizado na estação chuvosa, ou seja, de outubro a dezembro. Em condições de solo levemente encharcados utilizar a espécie de caquizeiro norte-americano D. virginiana. Para a cultivar Fuyu, que necessita de polinização para reduzir a queda de frutos, recomenda-se a utilização de plantas polinizadoras, sendo bastante utilizadas as variedades IAC 5 e Zendimaro, recomendando-se o plantio de uma planta de IAC 5 para seis da cultivar Fuyu. Em pomares já implantados, recomenda-se a sobre-enxertia da variedade polinizadora em cada planta da variedade Fuyu.

 

Espaçamento: para variedades vigorosas como Taubaté e Giombo: 7 x 6 m; para variedades menos vigorosas como Fuyu: 6 x 6 m, 6 x 5 m. Hoje há tendência para adensamento de plantio, podendo-se utilizar espaçamentos de 6 x 4 m.

 

Mudas necessárias: 238 a 419 mudas por hectare.

 

Poda de formação e de produção: as mudas são plantadas com haste única. A poda de formação objetiva definir a estrutura produtiva da planta, com a formação das pernadas principais e secundárias. No sistema de vaso aberto, o desponte das mudas no campo deve ser realizado a 50 cm do solo, para a formação de 3 a 4 pernadas em direções opostas e em diferentes pontos de inserção no caule. Devem-se eliminar os ramos próximos ao solo, aqueles mal posicionados, bem como os ramos fracos. Os ramos devem ser arqueados visando mantê-los a 50o em relação ao solo. No inverno do ano seguinte, devem-se encurtar 1/3 das pernadas principais, deixando no ápice dois ramos voltados para o exterior. Essa poda deve ser realizada até o terceiro ano após o plantio.

 

A poda de produção, realizada a partir do 5.o ano, no período de junho a julho, visa eliminar ramos supérfluos, mal posicionados e voltados para baixo, doentes, praguejados e secos. Os ramos que permanecem na planta não devem ser despontados.

 

Outros tratos culturais: após o plantio recomenda-se o tutoramento das plantas. O controle de plantas daninhas deve ser feito mediante capinas superficiais, roçadas, utilização de cobertura morta e herbicidas pós-emergentes. A superação de dormência das gemas, pode ser alcançada pela utilização de cianamida hidrogenada em doses entre 2% e 4%, em função da região de cultivo. Recomenda-se a utilização de cianamida hidrogenada principalmente na cultivar Taubaté, visando antecipar a colheita para o início de fevereiro.

 

Em plantas com excesso de frutos, realizar desbaste visando aumentar o peso dos frutos remanescentes, bem como evitar problemas de alternância de produção, sendo esta prática recomendada principalmente para a variedade Giombo e Fuyu, devendo-se manter 1 a 2 frutos por ramo. Em plantas adultas com excesso de frutos realizar escoramento de ramos, evitando-se quebra de galhos. Ensacar os frutos, principalmente da variedade Fuyu, visando o controle de mosca das frutas, e a obtenção de frutos de melhor qualidade. Utilizar ácido giberélico em doses de 50 a 100 ppm, visando atrasar a maturação dos frutos e a colheita. Com essa técnica cultural é possível estender o período de oferta de caqui, especialmente da variedade Giombo, para os meses de junho e julho.

 

Calagem e adubação: as recomendações de calagem e adubação devem ser estabelecidas a partir da análise do solo. A calagem deve ser calculada visando elevar o índice de saturação por bases para 80% e o teor de cálcio para nível acima de 7 mmolc dm-3. Usar sempre calcário dolomítico aplicado em área total e incorporado ao solo. Caso não seja possível incorporar o calcário em área total, o corretivo pode ser aplicado em faixa de 2,5 m de largura na linha de plantio e incorporado ao solo. Nesta situação, a dose deve ser ajustada proporcionalmente à área de solo preparada. Visando evitar problemas de qualidade dos frutos relacionados à deficiência de cálcio, o fornecimento desse nutriente pode ser complementado com aplicação de gesso agrícola. Em caquizeiro Fuyu, a falta de cálcio ou desequilíbrios entre cálcio e potássio ou entre cálcio e nitrogênio podem causar amolecimento de frutos, com consequente diminuição da vida de prateleira.

 

Adubação de plantio: aplicar na cova 20 litros de esterco de curral ou composto, ou 4 litros de esterco de galinha bem curtidos em mistura com 1 kg de calcário dolomítico, 1 kg de fosfato natural, 180g de K2O e 5 g de Zn. Os adubos devem ser bem misturados com a terra no preparo das covas, dois meses antes do plantio. Caso os teores de P e de K disponíveis determinados pela análise do solo sejam classificados como baixos ou muito baixos, aplicar 90 kg ha-1 de P2O5 e 100 kg ha-1 de K2O em faixa de 2,5 m de largura na linha de plantio, incorporando ao solo.

Adubação de formação: aplicar de 5 a 15 kg/ha/ano de N nos três primeiros anos, em doses crescentes ao longo do tempo. Parcelar a dose de N em três vezes ao ano, de dois em dois meses, a partir do início da brotação.

 

Adubação de produção: a adubação de produção da cultura deve ser ajustada em função de análises periódicas do solo do pomar e do monitoramento do estado nutricional das plantas por meio de análise foliar, da observação de sintomas de deficiência, bem como do acompanhamento do desenvolvimento vegetativo e da produção. A partir do início da produção, aplicar anualmente, 2 t ha-1 de esterco de galinha ou 10 t ha-1 de esterco de curral bem curtidos. Como ponto de partida para estabelecer as doses de fertilizantes a serem aplicadas anualmente, têm-se os valores de 90 kg ha-1 de N, 15 kg ha-1 de P2O5, 120 kg ha-1 de K2O, 120 kg ha-1 de Ca e 40 kg ha-1 de Mg.

 

As doses anuais de N e de K devem ser parceladas, aplicando-se 20% no início da brotação, 60% no meio do período de crescimento dos frutos e 20% na época da colheita. Após a colheita, distribuir esterco, P e, se necessário, Ca e Mg, nas doses anuais. Os fertilizantes devem ser aplicados em coroa larga, acompanhando a projeção da copa e, em seguida, misturados com a terra da superfície.

 

Principais pragas e controle: mosca-das-frutas, lagarta-dos-frutos, tripes, besouro-de-limeira, ácaro eriofídeo, cochonilha-pulverulenta, cochonilha-pardinha, cochonilha-cabeça-de-prego, lepidobroca.

 

Controle: o período crítico do ataque de tripes e lagarta-dos-frutos, ocorre do florescimento ao pegamento de frutos, recomendando-se pulverizações preventivas com inseticidas de contato. Para a mosca-das-frutas recomenda-se o ensacamento dos frutos, bem como o uso de armadilhas e de iscas à base de dipterex e melaço. O tratamento de inverno com calda sulfocálcica e a caiação do tronco também auxiliam no controle de pragas, especialmente de cochonilhas.

 

Principais doenças e controle: cercosporiose ou mancha-das-folhas, antracnose, mofo cinzento, galha-da-coroa e podridão de raízes.

 

Recomenda-se o tratamento de inverno com calda sulfocálcica e calda bordalesa, no período de maio a agosto, a pulverização preventiva com fungicidas de contato, especialmente do início da abertura do botão floral até o início da frutificação e no amadurecimento dos frutos, e práticas culturais visando propiciar maior aeração no interior da copa, como a prática da poda, a eliminação dos ramos podados, bem como de frutos danificados.

 

Colheita: o caquizeiro é uma planta de crescimento lento, atingindo o estádio adulto aos 7-8 anos. No entanto, quando se utilizam mudas enxertadas, a produção se inicia aos 4-5 anos aumentando progressivamente até o 15.o ano, quando é estabilizada. Geralmente, uma planta adulta, em pomar bem conduzido, produz de 100 a 150 kg de frutos, por ano. A colheita dos frutos é feita quando eles perdem a coloração verde e adquirem tonalidade amarelo-avermelhada, sendo realizada manualmente, mediante movimento de torção e tração. A época de colheita varia em função das variedades, condições climáticas e dos tratos culturais, estendendo-se de fevereiro a julho. Nas regiões de clima mais quente, a safra é mais precoce, assim como em regiões mais frias, a safra é mais tardia.

 

Para variedades dos grupos Sibugaki e Variável, quando os frutos não apresentam sementes, com polpa adstringente em função do tanino, a prática de destanização é imprescindível. Para consumo doméstico, a eliminação da adstringência pode ser feita adicionando-se uma colher de vinagre, aproximadamente 2 mL, no cálice do fruto, durante 4 a 5 dias. Em cultivos comerciais, a destanização é realizada em câmara de maturação, utilizando-se gás acetileno, carbureto, álcool ou etileno em quantidades variáveis, em função da variedade e da distância do mercado consumidor.

 

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