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Quiabo: do plantio à colheita

September 5, 2019

 

Quiabo

Abelmoschus esculentus (L.) Moench.

O quiabeiro é uma planta anual, pertencente à família Malvácea, sendo o nordeste da África (regiões da Etiópia e Sudão) o provável local de origem. A espécie Abelmoschus esculentus é largamente cultivada nas regiões tropicais e subtropicais, tendo sido introduzida no Brasil no período colonial. O caule é semilenhoso, ereto, podendo atingir mais de dois metros de altura. As flores são completas e férteis e, no entanto, a taxa de polinização cruzada pode ser superior a 50%. Os frutos imaturos, ricos em vitamina A, vitamina B e sais minerais, auxiliam nos casos de constipação intestinal e são consumidos como hortaliça, principalmente cozidos, refogados e fritos.

 

Também há possibilidade de uso do produto em conserva e congelado. Os frutos roliços, tradicionalmente são os preferidos no Brasil, enquanto nos Estados Unidos utilizam-se os frutos roliços para congelamento e enlatados (sopas) e os frutos quinados (com quinas ou arestas), como produto fresco. As sementes maduras são ricas em óleo (15%-20%). Em 2012, no Estado de São Paulo, segundo o IEA/CATI, o quiabeiro foi cultivado em 148 municípios, sendo os maiores em área cultivada Piacatu (220 ha), Promissão (120 ha), Mogi Guaçu (110 ha) e Araçatuba (100 ha); as regiões administrativas de maior expressão foram Araçatuba (33,9%), Campinas (27,6%) e Sorocaba (11,4%). A estimativa do custo de produção em Piacatu em 2012 foi de R$ 7.621,19/ha, dos quais, aproximadamente 30%, correspondendo aos insumos, e 70%, à mão de obra e máquinas. Há necessidade de duas pessoas para cuidar de um hectare.

 

Cultivares: Santa Cruz 47, Colhe Bem e o híbrido Dardo são as principais cultivares para São Paulo. A lista de cultivares registradas está disponível em: www.agricultura.gov.br/cultivares.

Clima e solo: o quiabeiro é sensível ao frio e ao excesso de chuva. Exige temperatura do solo de pelo menos 16 oC para germinação das sementes (Universidade da Califórnia). Para bom desenvolvimento e produção, a temperatura deve estar na faixa de 21 a 30 oC (Sistema de Extensão do Alabama). Devem ser utilizados solos com boa drenagem.

 

Época de plantio: nas regiões de inverno ameno, como o noroeste paulista, clima Aw, o cultivo pode ser feito praticamente o ano todo, destacando-se duas épocas principais de plantio: outubro-novembro e janeiro-fevereiro. Nas regiões de inverno mais intenso, clima Cwa, recomenda-se o cultivo de outubro a abril, com principal época de plantio em outubro-novembro.

 

Espaçamento: o mais comum é o plantio em linhas, no espaçamento de 1,00 a 1,20 x 0,20 a 0,30 m. Também se utilizam em Araçatuba os espaçamentos 1,50 x 0,50 m e 1,60 x 0,70 m e em Piacatu 1,50 x 0,30 m. A profundidade de plantio deve ser de 2 a 3 cm.

 

Sementes necessárias: usar sementes de boa qualidade genética e sanitária, assim como de germinação uniforme e rápida. Normalmente, são necessários 5 kg por hectare, quando o poder germinativo é de 85%. Colocar 15 sementes por metro linear. O sistema de semeadura predominante é o mecanizado. A emergência das plântulas tem início uma semana após a semeadura.

 

Calagem e adubação: coletar de 12 a 20 pontos para cada gleba homogênea para a análise do solo. (1) calagem - aplicar calcário com antecedência suficiente para elevar a saturação por bases à faixa de 70% a 80% e o teor de magnésio do solo a no mínimo 9 mmolc dm-3; (2) adubação orgânica - um mês antes do plantio, aplicar de 10 a 20 t ha-1 de esterco de curral ou composto orgânico, ou 1/4 dessa quantidade de esterco de galinha ou húmus de minhoca, todos bem curtidos.

 

Quando possível, incluir o plantio de adubo verde no esquema de rotação de cultura. Procurar observar qual é a melhor dose de adubo orgânico para a sua gleba, pois o uso excessivo pode levar a desenvolvimento vegetativo exuberante, dificultando a frutificação, as colheitas e o controle fitossanitário; (3) adubação mineral de plantio - aplicar no sulco de plantio, de acordo com a análise do solo, cerca de 10 dias antes do plantio, de 20 a 40 kg ha-1 de nitrogênio (N), de 80 a 280 kg ha-1 de P2O5, de 40 a 120 kg ha-1 de K2O e de 0 a 1 kg ha-1 de boro (B), de 0 a 2 kg ha-1 de cobre (Cu) e de 0 a 3 kg ha-1 de zinco (Zn); aplicar juntamente com o NPK em pré-plantio, de 20 a 30 kg ha-1 de enxofre (S) e, em solos deficientes, 1 kg ha-1 de manganês (Mn); (4) adubação mineral de cobertura - em cobertura, aplicar de 20 a 80 kg ha-1 de N, de 5 a 20 kg ha-1 de P2O5 e de 15 a 60 kg ha-1 de K2O, durante o ciclo da cultura. As coberturas com 20 kg ha-1 de N, 5 kg ha-1 de P2O5 e 15 kg ha-1 de K2O cada vez, iniciam-se aos 20 dias após a emergência das plantas, podendo ser repetidas cada 20 a 30 dias. Fazer duas pulverizações com molibdato de amônio a 0,02%, até a floração. Obs.: em Piacatu, em seguida à poda, faz-se adubação orgânica e mineral (20% das quantidades de nutrientes recomendadas em cobertura) e irriga-se.

 

Irrigação: no plantio por semeadura direta, no período normal de chuvas, de novembro a fevereiro, a irrigação pode até ser dispensada, mas sua utilização pode garantir boa produtividade. Em Piacatu, 80% da área cultivada com quiabo é irrigada por aspersão. No plantio das mudas, que deverão apresentar de 3 a 4 folhas definitivas, é necessário irrigar. Maior exigência em água ocorre durante o período de rápido crescimento e desenvolvimento das plantas.

 

Outros tratos culturais: a) desbaste - quando as plantas atingirem de 15 a 20 cm de altura; b) poda - em regiões de clima favorável como o de Piacatu, a fim de se conseguir um período de colheita extra, ao término do período usual de colheita o quiabeiro pode ser podado (corte em bisel) na altura em que aparecem os brotos, a aproximadamente 50 cm do colo da planta, no plantio de outubro-novembro, ou em torno de 30 cm do colo da planta, no plantio de janeiro-fevereiro.

 

Nesse caso, é necessário realizar uma adubação suplementar em cobertura logo após a poda, irrigando-se em seguida. Recentemente, vem sendo conduzida por um produtor de Araçatuba, com início ao redor de 90 dias após o plantio, a poda de condução, com a finalidade de dar à planta a forma de uma taça. Essa poda consiste na remoção do ponteiro a 70-80 cm de altura, com a realização de podas subsequentes dos galhos, mantendo a altura citada, com a expectativa de produzir na mesma área por 1 a 2 anos; c) controle do mato - manter a cultura no limpo, utilizando-se cultivador raso para não prejudicar as raízes ou herbicidas registrados para a cultura.

 

Principais pragas: nematoides de galhas, tripes e pulgões; também ocorrem mosca-branca, cochonilha, vaquinha, lagartas e ácaros. Segundo pesquisas realizadas no IAC, crotalária júncea, crotalária espectábilis e crotalária paulina podem auxiliar no controle de nematoides de galhas; outras soluções seriam o uso de áreas não infestadas e a exposição do solo ao sol antes da gradagem. Segundo trabalhos desenvolvidos na APTA-Regional, a espécie de joaninha Cycloneda sanguinea L. tem se mostrado eficiente para o controle de pulgões.

 

Principais doenças: mofo branco, murcha de Fusarium, oídio, mancha de Ascochita, podridões bacterianas, murcha de Verticillium, cercosporiose e mancha angular. O oídio pode ser controlado utilizando-se pulverizações semanais com solução de leite de vaca cru ou pasteurizado, na concentração de 5% a 20%, enquanto for possível cobrir toda a área foliar com o produto (Embrapa Meio Ambiente). A lista de inseticidas, acaricidas, fungicidas e bactericidas registrados para o quiabeiro está disponível em: http://www.agricultura.gov.br - Agrofit.

 

Colheita: inicia-se entre 45 e 60 dias após o plantio, durando cerca de 3 meses no sistema de produção sem poda e de 6 a 10 meses no sistema de condução com poda, em Piacatu. A precocidade depende da cultivar. O híbrido Dardo é precoce, sua colheita tendo início aos 45 dias, enquanto as cultivares Colhe Bem e Santa Cruz 47 são colhidas aos 60 dias. A colheita é manual e feita diariamente à medida que os frutos atingem o ponto ideal de mercado, entre 9 e 12 cm de comprimento.

 

Quando a colheita é realizada no período da manhã, a pilosidade da planta produz menos irritação à pele de trabalhadores alérgicos, porém, frutos colhidos com orvalho ficam manchados. Recomenda-se o uso de luvas e de vestimentas apropriadas para proteção da pele, bem como a realização da colheita após o desaparecimento do orvalho.

 

Os frutos normalmente são acondicionados em caixas de madeira (K) de 18 kg, devendo seguir os padrões de classificação da CEAGESP. Deve ser lembrado que o acondicionamento nessa embalagem pode levar a perdas, que também podem ocorrer durante o transporte, e que o produto não suporta falta de ventilação mesmo por algumas horas, o que pode levar à sua descoloração.

 

Pós-colheita: o quiabo é constituído por 90% de água do total do seu peso fresco e por isso é um produto hortícola bastante perecível, com período de conservação pós-colheita extremamente curto, principalmente em condições de armazenamento sob temperaturas altas e baixa umidade relativa. Logo após a colheita, tem início a perda de turgidez dos frutos, principalmente dos menores que 9 cm. Para conservação satisfatória do produto por 10 dias, devem-se utilizar temperaturas de 10 a 15±1 oC, umidade relativa de 90%±5% e embalagem PET, com tampa perfurada ou com filme de PVC.

 

Temperaturas abaixo de 9 oC podem provocar danos por frio, ocasionando descoloração superficial e pequenas depressões na superfície dos frutos. Não lavar o quiabo e não colocá-lo em câmara fria junto com produtos que produzem muito etileno como abacate, ameixa, banana, maçã, maracujá, melão, nectarina, pera, pêssego e tomate, devido a sua sensibilidade ao gás, levando ao amarelecimento do fruto. O quiabo embalado alcança preço diferenciado no mercado.

 

Produtividade normal: a média de São Paulo no período de 2011-2012 foi de 13,2 t ha-1 (IEA/CATI). A produtividade esperada no cultivo com poda em Piacatu é de 700 a 1.000 caixas de 18 kg, ou seja, de 12,6 a 18 t ha-1.

 

Rotação: como as cultivares de quiabeiro são suscetíveis aos nematoides de galhas, deve-se, sempre que possível, fazer rotação de culturas utilizando cultivares de milho e espécies de crotalária resistentes a nematoides (C. juncea, C. spectabilis e C. paulina, segundo pesquisas realizadas no IAC). Além disso, devem-se evitar locais que tenham recebido cultivos sucessivos de abóbora, batata, batata-doce, berinjela, ervilha, feijão, quiabo, soja e tomate, pois favorecem a multiplicação de nematoides.

 

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