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Goiaba: do plantio à colheita

August 29, 2019

 

Goiaba

Psidium guajava L.
 

 

 

A goiabeira é uma planta frutífera pertencente à família Myrtaceae, composta por mais de 70 gêneros e 2.800 espécies. Dentre as espécies que integram o gênero Psidium, a goiabeira (Psidium guajava L.) é, notoriamente, a de maior expressão econômica e social, sendo que as demais espécies do gênero têm relevância como fonte de diversidade genética em programas de melhoramento, algumas suprindo pequenos nichos de mercado. Apesar de certa controvérsia, acredita-se que seja originária da região compreendida entre o México e a Amazônia. Trata-se de espécie de porte arbóreo ou semiarbóreo, atingindo de 3 a 8 metros de altura, apresentando flores brancas e hermafroditas, oriundas de botões isolados ou em número de dois a três por axila.

 

Ainda em brotações novas é possível identificar aquelas que darão origem a ramos produtivos, o que representa uma vantagem, principalmente na desbrota após a poda das plantas. É possível deixar apenas ramos produtivos remanescentes na planta, eliminando ramos vegetativos. As frutas apresentam ampla variação na forma, tamanho e cor, sendo as de polpa branca e vermelha as mais exploradas comercialmente.

 

É uma fruta com equilibrado valor nutricional, contendo elevados teores de vitamina C e A, além de vitaminas do complexo B, proteínas, fibras, açúcares e elementos minerais diversos. A goiaba de polpa vermelha apresenta elevado teor de licopeno, um poderoso antioxidante, que acrescenta valor nutracêutico ao produto. Sua diversificada gama de utilização, seja na forma in natura, seja na forma de polpa, sucos, doces, geleias, sorvetes, dentre outras, torna a cultura muito atrativa para a exploração comercial.

 

No Estado de São Paulo é possível a distinção de três sistemas de exploração: para mesa, para indústria e misto. O diferencial entre esses sistemas está, basicamente, no nível tecnológico empregado na condução e no manejo do pomar. O escalonamento da produção é possível por meio do manejo da poda: na poda contínua, uma mesma planta encerra todas as fases fenológicas simultaneamente, podendo atingir três ciclos produtivos em dois anos, se adequadamente manejadas as interfaces poda, adubação e irrigação; na poda total, o pomar é dividido em talhões nos quais é realizada a poda em épocas distintas, permitindo um “fracionamento” das fases fenológicas nos talhões e não mais na planta. O segundo método de condução do pomar permite maior racionalização do manejo da cultura, representando o único método aceito em algumas certificações, a exemplo da Produção Integrada de Goiaba.

 

Cultivares: de polpa branca - Kumagai: cultivar selecionada provavelmente no bairro Pedra Branca, no município de Campinas (SP), produz frutas de 300 a 400 gramas, muito apreciadas para o consumo ao natural, devido à qualidade, resistência e boa conservação pós-colheita, que são, inclusive, exportadas; Ogawa N.o 1 Branca: selecionada em Seropédica (RJ), suas frutas pesam entre 300 e 400 gramas, podendo atingir 700 gramas quando bem raleadas; de polpa vermelha - Pedro Sato: originária, provavelmente, de sementes da ‘Ogawa N.o 1 Vermelha’, suas frutas pesam entre 150 e 280 gramas, ultrapassando 400 gramas quando raleadas; Rica: obtida de sementes da cultivar Supreme, o peso das frutas varia de 100 a 250 gramas, apresentando boas características para a industrialização; Paluma: selecionada de sementes da cultivar Rubi-Supreme, no programa de melhoramento de goiabeiras da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - UNESP - Campus de Jaboticabal (SP), é cultivar muito produtiva, suas frutas podem atingir mais de 500 gramas, atendendo tanto ao consumo ao natural quanto à industrialização; as plantas apresentam boa tolerância ao fungo causador da ferrugem; Sassaoka: selecionada no município de Valinhos (SP), suas frutas, que atingem 300 gramas quando raleadas, apresentam boa durabilidade após colheita; Século XXI: oriunda do cruzamento ‘Supreme-2’ x ‘Paluma’, obtida na FCAV-Jaboticabal, é muito produtiva e precoce; suas frutas pesam de 200 a 300 gramas, têm a casca levemente rugosa, polpa de sabor muito agradável, poucas sementes pequenas e moles.

 

Clima e solo: a espécie adapta-se bem aos diferentes climas e solos de São Paulo, porém há restrições quanto a áreas sujeitas a geadas e ventos frios, assim como a solos propensos ao encharcamento duradouro. Para cultivos comerciais, regiões com temperaturas médias anuais entre 23 e 28 oC, precipitações de 1.000 a 1.800 mm, bem distribuídas ao longo dos meses e altitudes não superiores a 900 metros, favorecem a instalação do pomar.

Práticas de conservação do solo: as estratégias mais recomendadas são o plantio em nível, o terraceamento (em terrenos muito declivosos) e a manutenção das entrelinhas vegetadas e roçadas.

 

Propagação: a propagação sexuada, ou seja, via sementes, só é recomendada para obtenção de porta-enxertos, propagados a partir de sementes extraídas de frutos sadios e completamente maduros. A enxertia da cultivar-copa é realizada via borbulhia (verão) ou, ainda, garfagem (inverno). O enraizamento de estacas herbáceas reduz em aproximadamente um terço o tempo de obtenção da muda, porém demanda maiores cuidados, estruturas e domínio da técnica.

 

Plantio: a abertura e o preparo das covas devem ser realizados com, no mínimo, 30 dias de antecedência à instalação do pomar. Durante a abertura das covas, separa-se a porção de solo correspondente aos primeiros 20 centímetros superficiais, à qual se acrescentam os adubos. Esse volume retorna para cova antes do volume correspondente àquele retirado abaixo dessa profundidade, o qual é utilizado, posteriormente, para preencher a cova. As paredes das covas devem ser escarificadas possibilitando melhor desenvolvimento das raízes. O plantio propriamente dito deve ser realizado no início do período chuvoso, dando preferência aos dias nublados.

 

Recomenda-se, ainda, a preparação das “bacias” ao redor das mudas para a contenção de água. A utilização de cobertura morta ao redor das mudas minimiza a evaporação da água dessa porção de solo, favorecendo o pegamento das mudas.

 

Espaçamento: para goiabeiras, o espaçamento é definido basicamente em função da cultivar, do destino das frutas e do sistema de exploração adotados. Para cultivares destinadas ao comércio in natura, utilizam-se espaçamentos de 6 x 6 a 7 x 8 m e, para indústria, 7 x 4 a 7 x 6 m.

 

Mudas necessárias: em função do espaçamento adotado, de 179 a 358 plantas por hectare.

 

Cova: covas grandes, de no mínimo 40 x 40 x 40 cm, devidamente preparadas, com adição de matéria orgânica e adubo fosfatado.

 

Poda: a poda de formação deverá ser feita, seja qual for a finalidade da cultura. As cultivares de crescimento arqueado (Paluma e Século XXI), permitem a poda de formação apenas com a tesoura. Por sua vez, as demais cultivares, que têm o hábito de crescimento vertical, devem ser conduzidas e arqueadas para a formação de plantas do tipo taça aberta. Devem ser eliminados, por meio de podas periódicas, os ramos defeituosos, secos ou baixos. Na poda de produção deve-se optar pela poda por talhão, ou seja, uma poda que uniformize fenologicamente a planta.

 

Desbaste e ensacamento: quando as frutas são destinadas ao consumo in natura, deve-se efetuar o raleamento e o ensacamento dos frutos remanescentes.

 

Calagem: deverá ser realizada observando a análise do solo, elevando a saturação por bases a 60%, na área total.

 

Adubação de plantio: aplicar na cova ou distribuir no sulco de plantio cerca de 20 L de composto orgânico curtido, à base de esterco bovino; 180 g de P2O5, na forma de superfosfato simples; 2 g de Zn (sulfato ou óxido de zinco) e 1 g de B (ácido bórico). Salienta-se que não deve ser aplicado calcário na cova de plantio, especialmente com fontes de fósforo.

 

Adubação de formação: aplicar, de acordo com a análise do solo e a idade da planta, que pode variar de um a três anos, de 100 a 400 g de N, de 30 a 200 g de P2O5, e de 30 a 400 g de K2O, ao redor de cada planta, por ano, na projeção da copa.

 

Adubação de produção (plantas adultas): de acordo com os resultados da análise do solo, coletado na projeção da copa, bem como com a produtividade esperada no ciclo de cultivo, considerando três safras a cada dois anos, (40 a 70 t ha-1), aplicar na projeção da copa de 80 a 400 kg ha-1 de N, de 20 a 100 kg ha-1 de P O e de 30 a 300 kg ha-1 2 5 de K2O, parcelando em quatro aplicações, realizadas, após a poda, no florescimento, quando os frutos atingirem de 1,0 a 1,5 cm de diâmetro e a última aplicação, quando os frutos atingirem 2,5 a 3,0 cm de diâmetro. Se os teores de B e Zn no solo forem inferiores a 0,20 e 0,5 mg dm-3, respectivamente, recomenda-se aplicar 2 kg ha-1 de B, na forma de ácido bórico e 4 kg ha-1 de Zn, na forma de sulfato de zinco, parcelando em duas aplicações anuais.

 

Controle de pragas e doenças: besouro-amarelo: é importante manter o solo vegetado para favorecer principalmente a ação de inimigos naturais (controle biológico); na instalação de novos pomares deve ser considerada a presença, nas proximidades, de culturas altamente visadas pela praga, a exemplo do eucalipto, abacateiro, mangueira e cajueiro; gorgulho-da-goiaba - eliminar os frutos pequenos com sintomas de ataque, por ocasião do raleio; também coletar e destruir os frutos desenvolvidos e/ou maduros com sintomas; efetuar o ensacamento dos frutos entre 2 e 3 cm de diâmetro; percevejos - recomenda-se eliminar os frutos pequenos com sintomas de ataque, por ocasião do raleio; psilídeo-da-goiabeira - manter o solo constantemente vegetado, a fim de favorecer a ação de inimigos naturais; evitar o excesso de adubação nitrogenada, para evitar a brotação excessiva da planta; controle químico com inseticida imidacloprido (neonicotinoide); moscas-das-frutas - destruir frutos hospedeiros naturais próximos ao pomar; efetuar o ensacamento dos frutos entre 2 e 3 cm de diâmetro; ferrugem - pulverizações preventivas com fungicidas cúpricos no início da brotação, até os frutos atingirem 3 cm de diâmetro; após essa fase de frutificação ou se constatada a ferrugem na brotação inicial, alternar com pulverizações de azoxistrobina, triazóis ou com a mistura de estrobirulinas + triazóis; antracnose e pinta preta - o controle químico da ferrugem tem ação sobre essas doenças. Em caso de histórico das doenças, as pulverizações deverão ser mensais durante a frutificação.

 

Recomenda-se o armazenamento dos frutos sob refrigeração (8 a 10 oC); seca bacteriana - as pulverizações com fungicidas cúpricos para o controle da ferrugem têm ação sobre a seca bacteriana; em pomares com histórico da doença, recomenda-se a desinfetar as ferramentas de poda a cada mudança de planta, em solução de hipoclorito de sódio ou amônia quaternária, e após a poda total pulverizar com calda bordalesa; em plantas doentes, remover totalmente os ramos e frutos mumificados, destruindo-os; nematoides das galhas - o controle deve ser preventivo por meio da escolha de área livre de nematoides das galhas e do emprego de mudas sadias; constatado o nematoide no pomar, o local infestado deve ser isolado do tráfego de máquinas e pessoas e a irrigação cortada.

 

Trabalhos experimentais demonstraram efeito de inseticidas (químicos e biológicos) sobre as pragas da goiabeira. Entretanto, ressalta-se que até o momento há apenas um inseticida registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a cultura, direcionado para o controle do psilídeo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outros tratos culturais: capinas manuais na linha de plantio e roçadas nas entrelinhas.

 

Colheita e armazenamento: colheita manual, com dois a três repasses semanais, em estádio de vez de maturação, para a comercialização ao natural ou frutos maduros e firmes, quando destinados à industrialização. As goiabas são colhidas quando a polpa ainda está firme e a coloração da casca começa a mudar de verde-escuro (estádio 1) para verde-claro (estádio 2) ou começa a amarelecer (estádio 3).

 

Quando armazenadas em temperatura ambiente (25 oC), as goiabas apresentam curto período de vida de prateleira, mantendo a qualidade por 6, 4 e 2 dias após a colheita para os estádios 1, 2 e 3, respectivamente. A faixa de temperatura ideal para o armazenamento de goiabas está entre 8 e 10 oC, e 85%-90% de umidade relativa. Nessas condições de temperatura e umidade, associadas a embalagens recobertas com filme de PVC, é possível armazenar goiabas por até 21 dias com qualidade satisfatória.

 

Produtividade normal: 15 a 50 t ha-1 de frutos (70 a 200 kg/planta/ano, de frutos), dependendo de diversos fatores tais como espaçamento, cultivar, clima, solo e tratos culturais.

 

Culturas intercalares: até o 2.o ano, pode-se plantar leguminosas de pequeno porte, não trepadeiras, nas entrelinhas (por exemplo, o feijoeiro).

 

Comercialização: para o comércio in natura, caixas com capacidade média de 2 a 2,5 kg; para a industrialização, usam-se as próprias caixas de colheita, que têm capacidade de 22 a 25 kg.

 

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