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Pera: do plantio à colheita

August 27, 2019

 

Pera

Pyrus spp.

 

A pereira, frutífera típica de regiões de clima temperado, pertence ao gênero Pyrus e à família Rosaceae. A este gênero pertencem cerca de 22 espécies, todas nativas da Ásia ou da Europa. Além da pereira ocidental, Pyrus communis, originária da zona central do Oriente Médio, das montanhas do Cáucaso e da Ásia Menor, também são encontrados os tipos asiáticos ou orientais, sendo P. pyrifolia, P. ussuriensis, P. serotina e P. calleryana originárias do centro da China. A pereira apresenta ramos vegetativos, frutíferos e mistos. Os ramos frutíferos são divididos em brindilas, dardos, lamburdas, bolsas e ramos mistos.

 

As flores, geralmente brancas, abrem-se na mesma época que as folhas, em rácimos umbeliformes. A fruta é um pomo, resultado da fusão do cálice com o receptáculo, ou simplesmente do engrossamento do mesmo. A maioria das cultivares de pereira é autoincompatível, havendo portanto, necessidade de polinização cruzada para aumentar a frutificação efetiva. É comum a ocorrência de partenocarpia, originando assim peras sem sementes.

 

O início da safra das frutíferas de clima temperado em regiões de inverno ameno ocorre em época antecipada, em relação aos demais estados do extremo Sul brasileiro. Aliado a esse fato, a grande quantidade importada para atender a demanda do mercado interno, seja para consumo ao natural, seja para industrialização, faz com que a fruta represente uma excelente oportunidade de investimento para os fruticultores paulistas. O cultivo da pereira em regiões de inverno ameno é possível, devido principalmente ao desenvolvimento de cultivares híbridas bem adaptadas (Pyrus communis x P. pyrifolia) e a introduções de cultivares de menor exigência a frio.

 

Cultivares para as condições subtropicais paulistas: IAC Tenra - resultante do cruzamento realizado entre as pereiras ‘Madame Sieboldt’ e ‘Packham’s’, é considerada excelente polinizante para diversas cultivares com concomitância de florada; apresenta adequada adaptação a regiões de inverno ameno, exigindo cerca de 80 horas de frio.

 

As plantas são mediamente vigorosas e rústicas e de produtividade regular; as frutas pesam entre 150 a 180 g, apresentam formato globoso-piriforme, porém muito irregulares e são colhidas de dezembro a janeiro; a polpa, pouco sucosa e doce, é medianamente firme, porém macia, com frequente granulação; IAC Triunfo - planta vigorosa, produtiva, de hábito ereto e crescimento rápido; cerca de 80 horas de frio são suficientes a essa cultivar; suas frutas são médias (180 a 250 g), de formato oblongo e bem piriforme e de maturação precoce (dezembro a janeiro); a polpa é bem firme, granulada e de sabor doce-acidulado; IAC Seleta - apresenta excelente adaptação a condições de inverno ameno e alto desempenho em regiões frias, exigindo cerca de 80 horas de frio; é uma cultivar de produção precoce (dezembro a janeiro); produz frutas de tamanho médio (150 a 200 g) e formato oblongo-piriforme; a polpa é delicada, aromática e tenra, com sabor doce-acidulado e de boa qualidade; IAC Primorosa - planta de bom vigor e produtividade; necessita de cerca de 80 horas de frio; suas frutas, comparáveis às das melhores cultivares importadas, são de tamanho médio (180 a 220 g), de formato ovoide-piriforme, apresentando pedúnculo longo; conforme a região de cultivo e o tipo de manejo, a maturação ocorre entre o fim de dezembro e janeiro; a polpa é de coloração branca, doce, tenra, suculenta e com pequenos grânulos arenosos, de sabor suave, boa qualidade e baixa acidez; IAC Centenária - plantas de alto vigor, enfolhamento abundante, folhas pequenas e bem distribuídas na copa, apresentando regularidade da produção; moderada exigência em frio (cerca de 150 horas); suas frutas são médias (220 a 250 g), apresentando formato de oblongo-piriforme a piriforme-achatado; a polpa é pouco aromática e de coloração branca, firme, de textura meio grosseira, com granulações frequentes, suculenta e de sabor doce-acidulado.

 

Sua maturação ocorre no fim de janeiro e, em condições mais frias, geralmente sua maturação é mais tardia; IAC Princesinha - planta de bom vigor, porte médio, com ramos frutíferos finos e abundantes; apresenta produção precoce e elevada adaptação a regiões de inverno ameno; suas frutas pesam cerca de 140 g, são de formato piriforme, com “pescoço” pronunciado, pedúnculo fino e longo; a polpa é de coloração branca, firme, meio granulada e suculenta, de sabor doce-acidulado e agradável.

 

 

Clima e solo: regiões com temperaturas médias anuais entre 17 e 18 oC e com chuvas bem distribuídas ao longo do ano, são recomendadas para a cultura. Quanto aos solos, dar preferência aos bem drenados, aerados, não sujeitos ao encharcamento e com boa disponibilidade de matéria orgânica.

 

Práticas de conservação do solo: as estratégias mais recomendadas são o plantio em nível, o terraceamento em terrenos muito declivosos, o cultivo mínimo e a manutenção das entrelinhas vegetadas e roçadas.

 

Propagação: a propagação por sementes só é recomendada para obtenção de porta-enxertos. Na obtenção de mudas, a cultivar-copa pode ser enxertada tanto pelo método de borbulhia de gema ativa, no verão, utilizando corte em “T” normal, “T” invertido ou escudo, como garfagem (gema dormente, no inverno), com garfos de cerca de 10 cm de comprimento e contendo três gemas, em porta-enxertos oriundos de sementes ou de estacas de enraizadas.

 

Plantio: plantios realizados durante o período de dormência das plantas, em junho e julho, são menos impactantes para as mudas, porém, geralmente, há falta de umidade no solo; plantio durante a primavera, quando se iniciam as chuvas na região Sudeste (outubro), priorizando dias nublados, quando possível. Recomendam-se covas de 60 x 60 x 60 cm, previamente preparadas. Durante o preparo acrescentam-se adubos químicos e orgânicos, na porção de solo correspondente aos primeiros 20 centímetros superficiais, que retornará ao fundo da cova. O volume retirado abaixo dessa profundidade preencherá o restante da cova, sendo também utilizado para a confecção da “bacia de retenção”.

 

A utilização de cobertura morta ao redor das mudas contribui para a manutenção da umidade disponível. Deve-se respeitar a proporção de, no mínimo, uma polinizante para oito plantas da cultivar principal; em regiões mais quentes, é interessante o emprego de duas cultivares polinizadoras diferentes.

 

Espaçamento: para mudas enxertadas sobre porta-enxertos orientais sugere-se espaçamento de 6 x 4 m (condução das plantas em “taça aberta”) a 4 x 3 m (condução em “líder central”). Em regiões mais amenas e plantas enxertadas sobre marmeleiros, sugerem-se espaçamentos de 4 x 3 m. Em regiões mais quentes, as pereiras vegetarão mais, por isso sugere-se espaçamento um pouco mais amplo.

 

Mudas necessárias: em função do espaçamento adotado, de 417 a 834 plantas por hectare.

 

Calagem: a quantidade de calcário deve ser calculada com base em análise química do solo, amostrado de forma criteriosa. A calagem tem por objetivo elevar a saturação por bases a 70%, observando níveis adequados de magnésio. A quantidade deve ser aplicada em área total durante o preparo do solo, ou seu equivalente quando em cultivo somente na faixa de plantio.

 

Adubação: plantio - cada cova deve receber pelo menos 8 litros de esterco de curral curtido ou 3 kg de esterco de galinha ou ainda 4 kg de compostagem, 60 g de P2O5 e 30 g de K2O; formação - do primeiro ao quinto ano, fornecer anualmente de 40 a 160 g de nitrogênio (N), 20 a 200 g de P2O5 e 20 a 240 g de K2O por planta, com base na análise do solo e idade das plantas; produção - fornecer anualmente de 120 a 240 kg ha-1 de N, 30 a 180 kg ha-1 de P2O5, 40 a 200 kg ha-1 de K2O, com base na análise do solo e produtividade estimada. Além disso, recomenda-se o fornecimento anual de 3 t ha-1 de esterco de galinha ou 15 t ha-1 de esterco de curral curtidos.

 

Poda de formação: pereiras podem ser conduzidas de diversas formas, como por exemplo: a) “líder central” - consiste na manutenção de um ramo principal (eixo central) ao redor e ao longo do qual saem os ramos, ficando a planta com aspecto de pirâmide; faz-se a redução da haste principal da muda logo após o plantio, preservando 40 cm do enxerto; a gema mais próxima ao corte dará origem ao eixo central; os ramos laterais mais vigorosos são mantidos na parte mais baixa da planta, decrescendo o vigor em função da altura; os ramos laterais ao atingirem entre 40 e 50 cm de comprimento, deverão ser arqueados em ângulo de 90o com o eixo central; b) “taça aberta” - selecionar três ou quatro brotações após a poda de desponte efetuada pós-plantio e arquear esses ramos até formarem ângulo de 45o com o solo; cada ramo deverá ser conduzido como se fosse um “líder central”, ou seja, mantendo a extremidade sem despontar e arqueando os ramos laterais até formarem ângulos de 90o com a pernada; c) “Y” - selecionar duas pernadas opostas e voltadas para a entrelinha, que são conduzidas como se fossem “líder central”.

 

Poda de frutificação: é realizada durante o período de dormência das plantas e consiste no encurtamento de ramos a fim de renovar os órgãos de frutificação, eliminando os ramos de crescimento vertical e os ramos em demasia, buscando equilíbrio entre o crescimento vegetativo e a frutificação da planta; após a poda e o desenvolvimento das novas brotações, faz-se o arqueamento dos ramos quando estes atingirem de 40 a 50 cm de comprimento, como descrito na poda de formação, a fim de estimular a frutificação e controlar o crescimento vegetativo.

 

Poda verde: também chamada de poda de verão, é realizada após a colheita, com intuito de controlar o desenvolvimento vegetativo da planta, eliminando-se o excesso de ramos, principalmente aqueles localizados no interior da copa e efetuando-se também, a redução de outros ramos.

 

Principais problemas fitossanitários: pragas - mariposa-oriental (Grapholita molesta), mosca-das-frutas (Anastrepha fraterculus), pulgões e ácaros, estes dois últimos ocorrendo com maior incidência no final da primavera e início do verão; doenças - sarna (Venturia pirina) ocorre principalmente na primavera, em condições de alta umidade e baixa temperatura; entomosporiose (Entomosporium mespeli), principal doença, que ocorre no fim da primavera e no verão; seca-dos-ramos (Botryosphaeria ribis).

 

Controle de pragas e doenças: deve-se respeitar a legislação vigente relativa ao uso de defensivos agrícolas, quanto ao agente biológico e a cultura, atentando para as recomendações do fabricante.

Desfolha: em regiões onde não ocorre a queda natural das folhas, a desfolha estimula a brotação; pode ser feita 45 dias antes da poda de frutificação, utilizando ureia, na concentração de 10%, ou sulfato de cobre a 1% ou ainda calda sulfocálcica a 12% (32 oBé).

 

Superação artificial da dormência - em regiões ou anos em que haja insuficiência de horas de frio, aplicar 0,75% de cianamida hidrogenada acrescida de 1% de óleo mineral.

 

Tratamento de inverno: pulverizar as plantas com caldas à base de cobre.

 

Colheita e armazenamento: as primeiras produções iniciam-se no 3.o ou 4.o ano após o plantio, porém produções regulares ocorrem somente após o 5.o ano de cultivo. Nas condições climáticas paulistas, em função das cultivares e da região, as frutas são colhidas entre meados de dezembro e meados de fevereiro.

 

As peras europeias não alcançam na planta a maturidade para consumo, requerendo, em determinados casos, tratamentos pós-colheita especiais. Quando as peras europeias permanecem na árvore, desenvolvem uma textura pobre, falta de suco e ausência do sabor típico da cultivar. De modo geral, devem ser colhidas na maturidade fisiológica, geralmente muito firmes, sendo amadurecidas antes do consumo mediante o armazenamento refrigerado entre -1 e 0 oC e 90%-95% de umidade relativa (UR), por duas a oito semanas.

 

Logo após o armazenamento a frio, as peras completam seu amadurecimento em ambiente com temperaturas entre 15 e 21 oC e 80%-85% de UR. O uso de etileno na câmara é uma alternativa viável para induzir o amadurecimento de peras europeias sem a necessidade de armazenamento por longos períodos. Normalmente, utiliza-se a aplicação exógena do etileno (100 mL L-1) em temperatura de 20 oC, por um ou dois dias.

 

O amadurecimento das peras asiáticas é diferente das peras europeias, podendo alcançar a maturação para consumo na própria planta, não sendo necessários os tratamentos complementares com baixas temperaturas ou uso de etileno, para indução de amadurecimento uniforme. Para longos períodos de armazenamento recomenda-se temperatura entre -1 e 0 oC, dependendo da cultivar.

 

Em complementação à refrigeração, o uso de atmosfera controlada pode aumentar o período de conservação, evitando o amarelecimento da epiderme e a ocorrência de desordens fisiológicas. As concentrações de oxigênio (O2) e dióxido de carbono (CO2) variam de 1% a 3% de O2 e de 0% a 5% de CO2, dependendo da cultivar europeia. O uso de embalagem de polietileno de baixa densidade também é uma excelente alternativa para conservação de peras europeias, por até 180 dias.

 

Produtividade: estima-se uma produtividade variando de 10 a 25 t ha-1 de peras, em pomares adultos e bem conduzidos. Podem ocorrer variações nesses valores, em função da tecnologia empregada e do espaçamento adotado.

 

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