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Batata: do plantio à colheita

August 23, 2019

Batata

Solanum tuberosum L. ssp. tuberosum Hawkes

 

 

Os genótipos de batata cultivados no Brasil pertencem à subespécie tuberosum, adaptados à tuberização sob quaisquer comprimentos de dia, originados do melhoramento realizado em países da Europa Ocidental, e que, quando aqui introduzidos vieram a suprir algumas das exigências necessárias à sua adaptação. Duzentas das cerca de 2.000 espécies do gênero Solanum, da família Solanaceae, todas ocorrendo somente no continente americano, produzem tubérculos, caules modificados que armazenam reservas na forma de fécula, necessidade imposta quando do início de sua evolução em sua região de origem, o altiplano andino.

 

Das oito espécies cultivadas, o S. tuberosum, seu mais importante representante, evoluiu inicialmente sob a forma de S. tuberosum ssp. andigena, subespécie adaptada à tuberização sob dias curtos, de ciclo extremamente longo e de tuberização muito tardia. Introduzida na Europa, ainda no século XVI, sua tuberização sob dias longos foi medíocre, o que foi superado por seleção recorrente, dando origem à subespécie tuberosum. Assim, a batata, tanto no seu centro de origem, quanto no seu centro de diversificação e na maioria das regiões onde é cultivada, tem ciclo longo, normalmente superior a cinco meses, tuberização tardia e datas de plantio e de colheita relativamente bem definidas pela ocorrência de geadas de primavera e de outono.

 

No Brasil como um todo e mais especificamente no Estado de São Paulo, tem ciclo vegetativo de 90 a 120 dias, podendo ser plantada durante todo o ano, exceto quando as noites têm temperatura média superior a 20 oC, devendo-se evitar também o plantio em solos muito pesados, propícios ao encharcamento e, naturalmente, regiões com ocorrência de geadas durante o ciclo vegetativo. Hoje a bataticultura é explorada economicamente nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás/Distrito Federal e Bahia.

 

Há pequenas produções também nas regiões elevadas dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e em microclimas dos Estados da Paraíba e Pernambuco. Até o início deste século, os Estados de São Paulo e Minas Gerais disputavam a primazia na produção nacional de batata, mas as dificuldades encontradas na rotação de culturas e o aumento da importância de doenças de solo; a impossibilidade de serem obtidas safras concomitantes e consecutivas; a dificuldade imposta pela topografia na mecanização, principalmente em relação à colheita; a compactação dos solos; a urbanização; e finalmente, a crescente dificuldade em se obter mão de obra qualificada, levaram o bataticultor paulista a reduzir essa atividade ou a migrar em busca de melhores situações, levando à continuada redução da participação da bataticultura paulista dentro do cenário nacional.

 

Embora a maior parte da produção seja destinada ao mercado fresco, observa-se o crescimento da batata processada na forma de rodelas fritas (chips) ou de palitos pré-fritos congelados (french fries). A produção de batata-semente utiliza cerca de 10% do total produzido, enquanto mais 10% a 20% são perdidos por danos bióticos ou abióticos durante o ciclo vegetativo ou em pós-colheita.

 

Cultivares: para consumo fresco: Agata, Cupido, Asterix, Markies e Mondial. Para processamento na forma de chips: Atlantic. Para processamento na forma de palitos fritos: Asterix e Markies. Para cultivo orgânico: IAC Itararé, IAC Aracy Ruiva e outras cultivares brasileiras.

 

Época de plantio: respeitando-se as restrições às altas temperaturas noturnas e aos solos susceptíveis ao encharcamento, pode-se plantar a batata em qualquer época do ano, uma vez que a distribuição das chuvas deixou de ser fator limitante desde o advento rotineiro da irrigação. Algumas cultivares tem exigências marcantes. Assim, Agata não deve ser cultivada  em locais com precipitações elevadas e Asterix não apresenta tolerância a altas temperaturas.

 

Densidade populacional, massa do tubérculo-semente e quantidade de batata-semente necessária: a experimentação paulista demonstrou que se pode atingir um máximo de produtividade utilizando-se tubérculos-semente com a massa variando desde 15 g a 150 g, utilizando-se diferentes calibres do tubérculo-semente em diferentes estádios fisiológicos, procurando-se obter uma mesma densidade populacional de hastes principais por unidade de área. Como regra principal, tubérculos pequenos devem ser plantados fisiologicamente jovens, com poucos brotos por tubérculo, sendo o oposto para tubérculos com grandes dimensões.

 

Normalmente, o espaçamento utilizado é de 0,75 a 0,80 m entrelinhas, sendo o espaçamento na linha dado pelo tamanho da batata-semente, de 0,15 a 0,45 m entre plantas. Como as qualidades físicas, fisiológicas e fitossanitárias da batata-semente utilizada são requisitos básicos para o sucesso da cultura, recomenda-se o uso de batata-semente certificada. O aumento da importância da semente própria, com o menor custo relativo desse insumo, viabiliza o emprego de tubérculos-semente com maiores dimensões, gerando economia na utilização de fertilizantes químicos e leva à obtenção de plantas mais vigorosas. Nessa condição, deixa de ser importante a economia da quantidade de batata-semente utilizada por unidade de área, que pode passar das usuais 2 t ha-1 para até 4 t ha-1.

 

Cuidados na escolha e preparo do solo: em regiões de declividade elevada, principalmente em épocas chuvosas, o plantio deve ser feito em nível. Em culturas conduzidas sob pivô central é necessário avaliar-se o estado de compactação do solo, principalmente aqueles já mais intensamente cultivados, tomando-se as medidas necessárias no preparo do solo (escarificação ou subsolagem). Deve-se observar que não existe ecossistema que tolere o excesso de irrigação e que é mais fácil evitar-se a compactação do solo sob pivô do que recuperá-lo.

 

A compactação dos solos, com a presença de água livre, facilita a propagação de moléstias cujos agentes possuam zoósporos, como a Spongospora subterranea, causadora da “sarna pulverulenta” e o ataque aos tubérculos pela “requeima” (Phytophthora infestans), bem como a redução de elementos químicos normalmente tri ou tetravalentes como o ferro e o manganês, para a forma bivalente absorvível pelas plantas de batata em fluxo de massa, causando fitotoxicidade severa, muitas vezes confundida com sintomas de carência de magnésio.

 

Calagem e adubação: a batata é muito tolerante à acidez do solo, mas muito exigente em cálcio como nutriente. Há um temor generalizado na bataticultura em relação ao aumento da incidência da sarna comum correlacionado ao uso do calcário. Contudo, o aumento da importância dessa doença deve-se mais ao aparecimento de novas estirpes do agente causal, adaptadas a solos ácidos e à umidade, do que ao aumento do uso da calagem pela bataticultura. A calagem deve ser realizada com bastante antecedência ao plantio, procurando-se elevar a saturação por bases a 60%.

 

O estudo da adubação racional na bataticultura é bem mais complexo do que para culturas de propagação sexuada, porque dois fatores terão extrema importância na determinação da capacidade produtiva da planta: a massa do material de propagação utilizado e seu estádio fisiológico. Considerando-se a estatística experimental, um ensaio montado com batata-semente de 60 g, em “fim de dormência”, com brotação suficiente para originar quatro hastes principais por planta, terá efeitos fixos, cujos resultados (mesmo para a mesma variedade) serão diferentes de outros ensaios com tubérculos-semente de 100 g ou de 40 g.

 

Resultados mais consistentes exigem esquemas estatísticos mais sofisticados que os proporcionados pelos fatoriais fracionados onde a população, a massa e o estádio fisiológico do tubérculo-semente sejam considerados. A recomendação genérica e tradicional prevê a aplicação no plantio de 40 a 80 kg ha-1 de N; 100 a 300 kg ha-1 de P2O5; e 100 a 250 kg ha-1 de K2O, complementada com 40 a 80 kg ha-1 de N em cobertura, antes da amontoa. O parcelamento da adubação nitrogenada visa evitar a concentração salina perto do tubérculo-semente e a lixiviação do nutriente decorrente de possíveis chuvas. Nunca há resposta ao parcelamento da adubação fosfatada e em relação à potássica, o número de respostas positivas é insignificante e geralmente observado em solos mais arenosos.

 

Outros tratos culturais: a cultura deve ser mantida sem que haja uma competição significativa com ervas invasoras. A relação dos herbicidas registrados para a cultura pode ser consultada em: http://www.agricultura.gov.br - Agrofit. Alguns herbicidas como o metribuzin podem ser fitotóxicos para algumas variedades de batata. A amontoa é uma prática obrigatória, tendo por objetivo principal a proteção dos tubérculos em formação durante todo o período vegetativo e na fase pré-colheita, da exposição à luz solar e do ataque de pestes. Uma amontoa bem feita é o principal fator na minimização de danos causados pela “traça da batata” (Phthorimaea operculella).

 

Cerca de 90% a 95% da quantidade de água utilizada pela cultura da batata destina-se unicamente a manter operacional seu sistema de síntese. Sendo assim, o fornecimento adequado de água é um dos mais importantes componentes da produtividade da cultura. Sua necessidade é crescente com o desenvolvimento das plantas, exigindo cerca de 30 mm depois do fechamento das ramas. Mas, antes que exigente, a batata é específica em relação à agua, não tolerando o encharcamento, mesmo por curto período de tempo. Os danos causados podem ser desde a redução do valor comercial dos tubérculos pela hipertrofia das lenticelas, até a morte das plantas e apodrecimento dos tubérculos.

 

Controle de pragas e doenças: valem para a batata as recomendações básicas do controle das pragas de todas as espécies cultivadas: utilização de cultivares resistentes e rotação de culturas. Se a primeira é impossível de ser seguida em razão das numerosas espécies de fungos (termo aqui usado em seu sentido mais amplo), de bactérias unicelulares ou filamentosas, de vírus, de nematoides, de insetos e outros artrópodes, a segunda é obrigatória, embora seja cada vez mais difícil sua validação. Os problemas fitossanitários para os quais existem registros no Ministério da Agricultura e os produtos registrados estão no endereço anteriormente citado, embora se deva explicitar que nem todo produto registrado é tecnicamente recomendável, embora essa distinção escape aos objetivos deste documento.

 

Alguns poucos casos particulares serão apresentados. Como toda planta normalmente propagada de forma vegetativa, a batata vem sendo selecionada para o máximo da adaptação atual e, nesse processo, ficou privada do principal fator de controle das doenças causadas por vírus nas plantas superiores: o fato de os tecidos que envolvem o embrião serem “impermeáveis” ao desenvolvimento de partículas virais. Assim, são numerosas as espécies de vírus que afetam a cultura.

 

Os tubérculos são mais atrativos a outras espécies de pestes do que sementes botânicas, sendo a utilização de um material de propagação em ótimo estado sanitário e fisiológico, o principal definidor, ao lado do suprimento de água, da capacidade de produção de um campo a ser instalado. Os certificadores de batata-semente podem ser eficientes no que diz respeito à eliminação de lotes portadores da “murchadeira” causada por Ralstonia solanacearum. A sua eficiência em relação a doenças causadas por vírus é igualmente alta, ainda que possam ocorrer discrepâncias de resultados, conforme a metodologia utilizada na análise.

 

Em relação à principal moléstia que afeta a bataticultura brasileira, a síndrome “canela preta/podridão mole”, conjunto de problemas causados por bactérias dos gêneros Pectobacterium e Dikeia, que causam perdas superiores a 10% da produção nacional, a eficiência dos sistemas de certificação é muito menor. Não existem produtos realmente eficazes no controle desses patógenos, ainda que os produtores normalmente apliquem agroquímicos isoladamente ou em combinações. Produtos que estimulem o desenvolvimento do sistema radicular podem atrasar a manifestação dos sintomas, melhorando a capacidade produtiva das plantas, mas não tem efeito algum sobre o patógeno.

 

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