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Algodão: do plantio à colheita

August 22, 2019

Algodão

Gossypium hirsutum L.

 

 

 

A cultura do algodoeiro no Brasil apresenta-se diferenciada, pelo menos sob três aspectos: a) o regional, em que se distinguem, de um lado, as áreas tradicionais, sobretudo nos Estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais e, de outro, as áreas de cerrado, nos Estados de Mato Grosso, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul e, mais recentemente, no Maranhão, Piauí e Tocantins; b) o relativo a sistemas de produção, que compreendem desde os praticados por pequenos e médios produtores, sem metas excepcionais e dependentes de outros elos da cadeia produtiva, até os realizados em empreendimentos de larga extensão e alta produtividade, com atividades verticalizadas e elevado nível de adoção de tecnologia; c) o referente a especificidades do produto, no qual, além do algodão convencional, de absoluta predominância, surge a produção de fibras naturalmente coloridas e de algodão “orgânico”, destinados a nichos especiais de mercado.

 

Pré-requisitos: a produção de algodão depende, essencialmente, da atividade de beneficiamento do produto e só se justifica se os próprios produtores, isoladamente ou em grupos, dispuserem das condições para realizá-lo, ou se, à distância razoável do local de plantio, houver usinas que adquiram o algodão em caroço ou prestem o serviço de beneficiamento ao produtor.

 

Solos: não são apropriados para o algodoeiro os solos muito rasos e os de intensa acidez, assim como glebas sujeitas a encharcamento ou com acentuado declive.

 

Clima: no ciclo todo, a cultura necessita de 700 a 1.000 mm de água, para produção de 2.500 a 5.000 kg ha-1, respectivamente, de algodão em caroço. A temperatura média ideal varia, conforme a fase de desenvolvimento, de 20 a 30 oC, durante o dia e 20 oC à noite, tornando-se a planta inativa abaixo de 15 oC. Dependendo do ciclo, a cultura apresenta necessidade térmica entre 1.600 e 2.400 graus/dia. Em todo o ciclo, a planta exige alta radiação solar, com poucos dias nublados.

 

Sistemas de cultivo: além do sistema convencional, com preparo do solo, têm sido utilizados na cotonicultura, o plantio direto ou, mais comumente, os sistemas mistos, que incorporam conceitos deste último, como o cultivo mínimo ou a semeadura na palha.

 

Cultivares: acham-se disponíveis no mercado tanto cultivares convencionais, como portadoras de eventos transgênicos, que conferem tolerância a lagartas e a herbicidas específicos. A opção por estas últimas deve levar em conta, dentre outros possíveis fatores, as vantagens do evento em questão para o sistema de produção adotado; a inexistência ou ineficiência de práticas alternativas; o custo da tecnologia embutido no preço das sementes; eventuais deficiências dessas cultivares, especialmente quanto à suscetibilidade a doenças e nematoides; e, no caso de insetos, a necessidade do uso de defensivos para combate a outras pragas-chave de ocorrência na região, não controladas pelo evento transgênico. Para a safra 2013/2014, o Instituto Agronômico lançou a cultivar IAC 26 RMD, convencional e com resistência múltipla a doenças e a nematoides.

 

Época de plantio: é estabelecida segundo as condições pluviais e de temperatura na região e o ciclo esperado da cultura, tendo como determinantes, de um lado, germinação e desenvolvimento favorável das plantas e, de outro, tempo mais seco possível por ocasião da colheita. Dependendo da região e do sistema de produção e da cultivar adotados, o ciclo da cultura pode variar de 150 a 200 dias, no plantio convencional.

 

Duração menor do ciclo é prevista na cultura “safrinha” e em cultivos adensados, no esquema de sucessão de culturas no mesmo ano agrícola. No Estado de São Paulo as condições mais favoráveis, no plantio convencional, ocorrem com plantios realizados de 10 de outubro a 10 de novembro.

 

Espaçamento: dependendo da fertilidade do solo e condições nutricionais, e do tipo de colheita, se manual ou mecânico e, neste caso, do tipo de colhedeira, o espaçamento entrelinhas pode variar de 0,76 a 1,10 m. Em cultivos adensados o espaçamento é, em geral, de 0,45 m entrelinhas. O fundamento dessas recomendações é que a distância entrelinhas seja de 2/3 da altura média esperada das plantas.

 

O controle da altura, para adequá-la ao espaçamento adotado, pode ser feito por meio de produtos reguladores de crescimento. Além dos fatores mencionados, devem-se levar em conta recomendações específicas por parte do obtentor/detentor da cultivar utilizada.

 

Densidade: em condições normais, de 7 a 10 plantas por metro linear. Todavia, em função da fertilidade do solo, da cultivar e do manejo, pode-se admitir amplitude de 5 a 12 plantas por metro linear.

Sementes necessárias: dependendo do espaçamento e da cultivar, e utilizando sementes deslintadas, de alta germinação e tratadas com fungicidas, são necessários de 10 a 12 kg ha-1, nos plantios convencionais e o dobro disso no cultivo adensado.

 

Técnica de plantio: sulco raso (5-10 cm de profundidade) e pouca terra sobre as sementes (2 a 3 cm). Adubos colocados ao lado e abaixo destas.

 

Calagem e adubação: devem ser estabelecidas com base na análise química do solo. Como referência, aplicar calcário para elevar a saturação por bases do solo para níveis entre 60% e 70%, cuidando para que nos valores mais altos não ocorram problemas com potássio e micronutrientes. Em condições de elevada acidez, principalmente nos cerrados e, sobretudo no caso de plantio direto, pode-se considerar a aplicação de gesso para corrigir a acidez nas camadas subsuperficiais do solo. Na adubação, além dos teores dos elementos revelados na análise do solo, deve-se levar em conta o nível de produtividade de algodão desejado.

 

Com base nesses critérios, complementados com o histórico anterior da gleba, especialmente cultura antecessora e adubações nela realizadas, as doses recomendadas de nutrientes, em kg ha-1, podem variar de 40 a 150 para o nitrogênio, de 40 a 130 de P205, para o fósforo e de 40 a 150 de K20, para o potássio. No plantio devem ser aplicados: todo o fósforo, até 15 kg ha-1 de nitrogênio e até 50 kg ha-1 de potássio.

 

O restante destes dois últimos deve ser aplicado em cobertura, em uma ou mais vezes, dependendo das doses. Além desses nutrientes, recomenda-se garantir suprimento de 40 a 50 kg ha-1 de enxofre, mediante adubos nitrogenados e fosfatados que o contenham, ou por meio de gesso, quando utilizado na correção da acidez.

 

Deficiências de boro podem ocorrer em glebas que receberam calagem, principalmente em doses elevadas, e podem ser corrigidas, conforme os resultados da análise do solo, com aplicações de 0,5 a 1,5 kg ha-1 do nutriente. Nos primeiros anos de correção de solos ácidos, sobretudo nos cerrados, pode ser necessário aplicar até 3 kg ha-1 de zinco, conforme análise do solo, para evitar a ocorrência de deficiência nas plantas.

 

Tratos culturais e manejo: mediante processos mecânicos ou com o uso de herbicidas, a cultura deve ser mantida permanentemente no limpo, especialmente por ocasião da colheita. Recomenda-se o uso de reguladores de crescimento para efetuar o balanço entre desenvolvimento vegetativo e frutificação e para promover maior determinação no ciclo das plantas.

 

Controle de pragas: deve ser realizado, segundo os princípios do manejo integrado, incluindo destruição dos restos culturais (obrigatório por lei), rotação de culturas, monitoramento das pragas e aplicação de defensivos, segundo o nível de controle. Para certas espécies de lagartas pode-se contar com o uso de cultivares transgênicas. A aplicação de defensivos é indispensável, principalmente para o bicudo e outras pragas-chave, incluindo certas lagartas, não controladas pelos eventos transgênicos. É importante que se monitore todo o sistema de produção utilizado na propriedade, especialmente as demais culturas nela realizadas.

 

Controle de doenças: é obrigatório, sobretudo para as mais destrutivas como murchas de Fusarium e de Verticillium, ramulose, nematoides, mosaico das nervuras e ramulária, em certas regiões. O controle mais racional e econômico se faz por meio de cultivares resistentes ou tolerantes. Como alternativa, para alguns poucos patógenos, pode-se realizá-lo com defensivos, quer para o próprio agente causal, quer para insetos vetores.

 

É recomendada também a rotação de culturas, desde que não se utilizem espécies/cultivares suscetíveis aos patógenos e nematoides que atacam o algodoeiro.

 

Colheita: pode ser realizada de forma manual, em uma ou mais vezes, ou mecânica, buscando-se, em qualquer dos casos, colher algodão seco e o mais limpo possível. Principalmente na colheita mecânica, o processo pode ser orientado e controlado com o uso de produtos maturadores e desfolhantes.

 

Produtividade: a média brasileira, na safra 2012/2013, foi de 3.750 kg ha-1 de algodão em caroço, a maior do mundo em cultivos não irrigados. Assegurado o indispensável em insumos e técnicas culturais, podem-se esperar produções mínimas de 1.800 a 2.000 kg ha-1. Em culturas de elevado investimento e alta tecnologia, têm sido obtidas no país produções de até 6.000 kg ha-1 ou mais. Disponibilidade de fatores operacionais e custos de produção admissíveis determinam a produtividade objetivada pelo cotonicultor.

 

 

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