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Morango: do plantio à colheita

August 15, 2019

Morango

Fragaria x ananassa Duch. ex Rozier

 

O morangueiro é uma planta herbácea, rasteira e perene da família Rosaceae. Botanicamente o morango é um pseudofruto originário do receptáculo floral, que se torna carnoso e suculento. É rico em vitamina C, apresentando alta atividade antioxidante, sendo comercializado ao natural, congelado (frutos inteiros ou polpa), bem como na forma de polpa desidratada. Segundo o IEA/CATI, no período 2011-2012, São Paulo produziu 10.452,4 t de morango/ano, em 338,2 ha distribuídos em 38 municípios, sendo os maiores em área cultivada, Piedade (80 ha), Atibaia (45 ha) e Jarinu (35 ha). Em Atibaia/Jarinu já está implantada a produção certificada de morango, nas modalidades “Produção Integrada de Morango” (PIMo) e “Orgânico”, correspondendo a 15% em área em relação à produção convencional. A produção orgânica atende a um mercado diferenciado, agregando valor ao produto.

 

A cultura caracteriza-se pelo elevado custo de produção, especialmente devido à mão de obra e às embalagens.

 

Cultivares: Camarosa, Camino Real, Festival e Oso Grande, desenvolvidas nos Estados Unidos da América, são as principais cultivares para São Paulo, sendo Oso Grande líder em Atibaia/Jarinu e Camino Real em Piedade. Dessas cultivares, apenas Camino Real encontra-se protegida no país, com validade até 2019. Algumas cultivares como Oso Grande, por questões anatômicas de suas flores, dependem da presença de abelhas para a produção de morangos sem deformações. A lista de cultivares registradas e protegidas está disponível em www.agricultura.gov.br/cultivares.

 

Clima e solo: as cultivares mencionadas acima são consideradas de dias curtos. A faixa de temperatura ótima para a atividade vegetativa é de 10-13 oC durante a noite e de 18-22 oC durante o dia. A floração e frutificação são favorecidas na faixa de 13-26 oC. Abaixo de 12 oC a polinização é deficiente. Acima de 30 oC ocorre aborto floral e estímulo à produção de estolhos. A geada danifica flores e frutos, especialmente os imaturos, não protegidos pelas folhas. A maioria dos municípios paulistas produtores de morango apresenta clima do tipo Cwa (clima tropical de altitude). As áreas mais altas das serras do Mar e da Mantiqueira têm potencial para produção de morango no verão, devido às temperaturas mais amenas. O morangueiro desenvolve-se melhor em solos profundos, de textura média.

 

Época de plantio: (a) produção de mudas - recomenda-se a utilização de matrizes de alta qualidade genética e sanitária. O plantio de matrizes é feito de setembro a novembro, dependendo da região, e as mudas são colhidas de março a maio. Pode ser utilizado o sistema convencional em campo aberto e solo isento de patógenos prejudiciais ao morangueiro, com área de 1,5 a 3,5 m2 por matriz. Também pode ser empregado o sistema vertical, utilizando-se vasos com substrato, suspensos em estufas, sendo as mudas obtidas colocadas para enraizar em bandejas com substrato. O setor produtivo também utiliza mudas importadas, vernalizadas naturalmente, produzidas em regiões frias do sul da Argentina e do Chile, denominadas mudas “frigo”, cujo sistema radicular acumula carboidratos.

 

Em 2012 as mudas nacionais foram comercializadas a R$ 0,20-0,25 a unidade e as importadas a R$ 0,42 a unidade; (b) produção de morango< >o principal período de plantio é março-abril. Entretanto, quando são utilizadas mudas importadas, há a possibilidade de demora na entrega das mesmas, atrasando o plantio e o início da colheita. No plantio as mudas devem ser posicionadas corretamente no canteiro, evitando-se a exposição das raízes ou o enterrio da coroa.Espaçamento e mudas necessárias: são utilizados canteiros de 50-60 m de comprimento, 1 m de largura e 25-30 cm de altura, separados entre si por 40-45 cm. Nos canteiros são utilizadas três linhas de plantio separadas por 30 cm, sendo o espaçamento entre plantas na linha, de 30-35 cm.

 

Normalmente são utilizadas de 50 a 60 mil mudas/ha. No controle da erosão devem ser utilizados canteiros em nível, terraceamento, canais para escoamento de água da chuva e forração dos carreadores internos com capim seco.

 

Calagem e adubação: (1) análise química do solo - coletar de 12 a 20 pontos para cada gleba homogênea para a análise do solo; (2) análise química foliar - é uma técnica importante para auxiliar o monitoramento da nutrição do morangueiro, diagnosticando deficiências e excessos. Recomenda-se realizar amostragens das folhas pouco antes do início de cada florada, ou pelo menos na segunda florada, devido à quantidade e qualidade do morango produzido. Deve-se coletar a terceira ou quarta folha recém-desenvolvida, retirando-se o pecíolo de 30 plantas por cultivar e por talhão homogêneo; (3) calagem - aplicar calcário com antecedência suficiente para elevar a saturação por bases a 80% e o teor de magnésio do solo a no mínimo 9 mmolc dm-3; (4) adubação orgânica - entre 30 e 40 dias antes do transplante das mudas para os canteiros de produção, aplicar de 15 a 30 t ha-1 de esterco bovino curtido, ou composto orgânico, ou ainda 2,5 a 5 t ha-1 de esterco de galinha curtido, cama de frango, Bokashi ou húmus de minhoca, sendo as maiores quantidades indicadas para os solos arenosos.

 

O esterco de galinha e a cama de frango devem ser usados com cautela, pois o morangueiro é muito sensível à salinidade. Quando possível, incluir o plantio de adubo verde no esquema de rotação de cultura. Procurar observar qual é a melhor dose de fertilizante orgânico para a sua gleba, pois o uso excessivo pode levar a desenvolvimento vegetativo exuberante, dificultando as colheitas e o controle fitossanitário; (5) adubação mineral de plantio - aplicar por hectare cultivado (10.000 m2 de canteiros), de acordo com os resultados da análise química do solo, pelo menos uma semana antes do plantio, 40 a 60 kg ha-1 de nitrogênio (N), de 200 a 800 kg ha-1 de P2O5, 60 a 240 kg ha-1 de K2O, de 0 a 1 kg ha-1 de boro (B), de 0 a 2 kg ha-1 de cobre (Cu) e de 0 a 3 kg ha-1 de zinco (Zn); (6) adubação mineral de cobertura < >deve ser estabelecida com base nos resultados da análise química do solo e da análise foliar. Aplicar 120 a 160 kg ha-1 de N, 60 a 90 kg ha-1 de P2O5 e 90 a 150 kg ha-1 de K2O por hectare cultivado (10.000 m2 de canteiros), parcelando-se em pelo menos 14 aplicações quinzenais, a partir do pegamento das mudas.

 

Na faixa de temperatura moderada do solo (12 a 27 oC), recomenda-se o uso do N nas formas amoniacal e nítrica; acima de 27 oC deve-se preferir a forma nítrica, pois fertilizante nitrogenado na forma amoniacal aplicado em doses altas pode ser tóxico às raízes do morangueiro; (7) fertirrigação - consiste na aplicação de fertilizantes altamente solúveis via água de irrigação, monitorada conforme os resultados da análise química foliar. Como o morangueiro é muito sensível à salinidade deve-se fazer o controle da condutividade elétrica na água, no solo e na solução aplicada na fertirrigação. O nível máximo tolerável para cultivo é de 1,75 mS/cm, a 25 oC. No cálculo do parcelamento da adubação de cobertura, deve-se levar em conta a marcha de absorção de nutrientes ao longo do ciclo.

 

 

Irrigação: a irrigação é realizada por aspersão até o pegamento das mudas, que normalmente são de raízes nuas. Após essa fase, em Atibaia/Jarinu, 20% da área com morangueiro continua a ser irrigada por aspersão e 80% passa a ser irrigada pelo gotejamento, enquanto em Piedade 80%-85% da área continua a ser irrigada por aspersão e 15%-20% passa a ser pelo gotejamento. Em Atibaia/Jarinu, em média, são utilizadas de 3 a 5 regas semanais e em Piedade, de 2 a 3 regas. Os períodos críticos ocorrem logo após o transplante das mudas, na formação dos botões, floração e frutificação.

 

O excesso de umidade na planta dificulta a polinização. A menor reposição de água favorece o aumento do teor de sólidos solúveis do morango. Recomenda-se o monitoramento da irrigação com o uso de tensiômetros. Segundo pesquisas realizadas no IAC, a manutenção do teor de água no solo a potenciais entre -10 e -35 KPa, isto é, próximo à capacidade de campo, favorece o crescimento e a produtividade do morangueiro.

 

Os tensiômetros devem ser instalados a 15 cm de profundidade, que corresponde à metade da profundidade efetiva do sistema radicular. O manejo da água com o uso associado de tensiômetros para determinação de quando irrigar, e a realização do balanço hídrico para estimativa de quanto irrigar têm proporcionado excelentes resultados. Para os casos em que não se dispõem de aparelhos, o manejo da irrigação, segundo a EPAMIG, pode ser feito observando-se pela manhã se há gotículas de água nas bordas das folhas, o que só ocorre quando a umidade do solo está próxima da capacidade de campo.

 

Principais pragas e doenças: a) pragas - ácaros, tripes, broca-dos-frutos e lagartas; b) doenças - mofo cinzento, antracnose (“flor preta”), “vermelhão” e mancha de micosferela. A lagarta tem importância no início do desenvolvimento das plantas, atacando principalmente a coroa, especialmente em áreas que foram cultivadas com milho antes do morangueiro.

 

A broca-dos-frutos é problema em lavouras onde o morango é colhido completamente maduro. O uso de mudas sadias é básico para o controle de vírus, fungos, bactérias, nematoides e mesmo de algumas pragas, como o ácaro do enfezamento. Para doenças fúngicas importantes, como “chocolate”, “flor- preta”, murcha de Verticillium e podridões de Phytophthora, também devem ser adotadas as seguintes medidas preventivas: plantio em solo não contaminado, controle da umidade do solo (irrigação e drenagem), uso de adubação equilibrada evitando o excesso de nitrogênio, remoção e destruição de plantas afetadas. Rotação de cultura, revolvimento do solo e solarização são medidas complementares para o controle de fungos de solo e nematoides.

 

Deve-se cobrir o solo dos canteiros com filme plástico preto para proteção dos frutos contra agentes bióticos, bem como para o controle do mato. A lista dos agrotóxicos registrados está disponível em: http://www.agricultura.gov.br - Agrofit.

 

Colheita e comercialização: inicia-se aos 60-70 dias após o transplante das mudas, durando de 5 a 8 meses, dependendo da região de cultivo. A colheita é feita manual e diariamente no período de temperaturas elevadas e de 2 a 3 vezes por semana no inverno. Os morangos são muito delicados e pouco resistentes, o que exige muitos cuidados durante a colheita. Se colhidos muito maduros, poderão chegar em decomposição e com podridões ao mercado; se colhidos ainda verdes, poderão apresentar ausência de aroma, alta acidez e adstringência.

 

Geralmente, colhe-se no estádio “3/4 maduro” quando o morango é comercializado na CEAGESP, no Mercadão Municipal da Cantareira, bem como em mercados do interior de São Paulo e de outros Estados, e no estádio “maduro” para a industrialização ou quando a comercialização for feita diretamente pelo produtor. A estimativa da necessidade de mão de obra/ha em Atibaia/Jarinu é de 6 empregados fixos e de 2 extras (no pico de safra), enquanto em Piedade é de 8 empregados fixos e de 4 a 8 extras.

 

O pico de safra ocorre em agosto-setembro. A reduzida oferta de mão de obra para o campo constitui-se em um importante entrave da cultura. Os frutos normalmente são acondicionados da seguinte forma: quatro cumbucas plásticas de cerca de 300 g cada uma, colocadas em uma caixa de papelão. É importante não misturar morangos com graus de maturação e tamanhos diferentes na mesma cumbuca. O transporte é realizado em caminhão-baú.

 

Pós-colheita: o morango é constituído por cerca de 90% de água do total do seu peso fresco e por isso é um produto hortícola bastante perecível, com período de conservação pós-colheita extremamente curto, principalmente em condições de armazenamento sob temperaturas altas e baixa umidade relativa do ar. Em Atibaia/ Jarinu, cerca de 30% dos produtores fazem o armazenamento refrigerado por um dia nos locais de produção, em temperaturas entre 2 e 5 oC e 80% de umidade relativa.

 

O morango pode ser conservado a 0 °C com 90%-95% de umidade relativa por 3 a 5 dias. A temperatura de 0 oC associada a atmosferas com 12% a 20% de CO2 é a condição ideal para o armazenamento do morango. Entretanto, as redes de distribuição e comercialização de produtos hortícolas no Brasil geralmente não possuem cadeia de frio, ou quando a possuem, a temperatura está entre 10 e 15 oC.

 

Os morangos ‘Oso Grande’ armazenados a 10 oC sob atmosfera controlada com 40% de CO2 associado com 20% de O2 mantêm suas características comerciais por 8 dias. A utilização do resfriamento rápido com ar forçado, tecnologia muito utilizada em morangos nos Estados Unidos da América, também auxilia no aumento do tempo de conservação do produto fresco. De fácil aplicação, é o método mais conhecido de resfriamento em câmaras frigoríficas, consistindo em colocar as caixas com morangos dentro de um túnel forrado com lona térmica, no extremo do qual há um ventilador. O ventilador trabalha como exaustor provocando um fluxo de ar através das caixas, criando assim uma “pressão negativa”.

 

A montagem desse sistema deve ser feita no interior de uma câmara frigorífica convencional. Outra alternativa para prolongar a vida útil do morango é o uso de congelamento, sendo que a grande vantagem do produto congelado é a flexibilidade para a comercialização, com capacidade para atender os fabricantes de iogurtes, sorvetes, geleias, bem como de recheios e coberturas para a indústria de panificação, além dos fabricantes de sucos e néctares. Com referência ao suco de morango congelado e armazenado a -18 oC por 15 dias, as cultivares Aleluia, Camarosa, Diamante e Sweet Charlie apresentam melhor aceitação que as cultivares Festival e Oso Grande.

 

Produtividade normal: a média de São Paulo no período de 2011-2012 foi de 30,9 t ha-1 (IEA/CATI). Segundo as Casas de Agricultura de Atibaia e de Jarinu, para essa região, a estimativa de produtividade é de 600 g/planta, enquanto para Piedade a estimativa da Prefeitura Municipal local é de 800 g/planta.

 

Rotação: crotalária júncea, crotalária espectábilis, labelabe, milho, milheto e pastagem. Sugere-se o cultivo de alface, abobrinha ou beterraba (esta última em Piedade), logo após o morango, devido aos preços desses produtos no verão, bem como ao aproveitamento dos canteiros, da adubação residual e da mão de obra.

 

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