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Uva: do plantio à colheita

August 13, 2019

 

Uva

Vitis spp.

 

 

 

A videira pertence à família Vitaceae, gênero Vitis. Destacam-se a Vitis vinifera L., de origem euro-asiática e a Vitis labrusca L., de origem americana.

 

Clima: as videiras são plantas com capacidade de adaptação climática que, aliada à existência de grande quantidade de porta-enxertos, possibilita a escolha de combinações que melhor se adaptem às diferentes regiões ecológicas do Estado de São Paulo, cujas condições climáticas relativas à temperatura e disponibilidade hídrica conferem uma grande variação no comportamento fenológico das variedades de uva, propiciando ao viticultor, possibilidade de produzir em diferentes épocas para sua melhor comercialização. O zoneamento agrícola do Estado de São Paulo incluiu a videira, Vitis sp., num grupo de espécies frutíferas consideradas de clima subtropical, ou seja, com menor exigência de frio hibernal que as de clima temperado, para indicar as áreas aptas.

 

A área apta, com temperaturas médias anuais entre 17 e 22 oC e índice hídrico inferior a 100, apresenta condições térmicas e hídricas satisfatórias e abrange quase toda a parte central e sul do Planalto Paulista, inclusive o Vale do Paraíba e o Vale do Ribeira. As características apresentadas por áreas menos favoráveis ao cultivo da videira são as seguintes: < >Temperaturas baixas <17 oC - estão situadas nas áreas serranas frias da Serra da Mantiqueira e do Mar;Índice hídrico elevado “Im>100” - abrangem a área litorânea e encostas úmidas da Serra do Mar e da Mantiqueira, com excesso de umidade que agrava problemas fitossanitários.

 

A área de cultivo da videira foi expandida para as regiões noroeste e oeste do Estado de São Paulo em municípios como Jales e Dracena. As regiões leste e sudoeste tendo como referências Jundiaí e São Miguel Arcanjo apresentam um período de seca de julho a setembro que favorece o repouso hibernal. As regiões noroeste e oeste apresentam um período seco de abril a outubro, porém as temperaturas elevadas da região nessa época favorecem uma maturação mais rápida, permitindo a colheita na entressafra de outras regiões.

 

Época de plantio: estacas de porta-enxertos não enraizadas: plantio direto no campo em julho e agosto; estacas pré-enraizadas de porta-enxertos conhecidas por “barbados”: plantio de agosto a setembro; mudas de porta-enxertos enraizadas em sacolas plásticas: plantio de outubro a novembro; mudas prontas obtidas por enxertia de mesa: agosto a setembro. No plantio de estacas de porta-enxertos, a enxertia com a variedade copa deve ser realizada nos meses de julho a agosto do ano seguinte.

 

Propagação: Tradicional - plantio de porta-enxertos no final do inverno/início da primavera com enxertia por garfagem, das variedades copa, no inverno do ano seguinte; Mudas enxertadas de raiz nua - as mudas são produzidas por viveiristas por enxertia de mesa, câmara de forçamento para união do enxerto e enraizamento e desenvolvimento do sistema radicular em canteiros.
 
Espaçamento: Os espaçamentos variam conforme a variedade, o porta-enxerto e o sistema de condução adotado.

 

Espaçamentos adensados - 0,70 x 1,7 m até 1 x 2 m - variedades comuns para mesa ou indústria, sobre porta-enxertos pouco ou medianamente vigorosos e sistema de condução em espaldeira baixa.

 

Espaçamentos médios - 2,0 x 2,5 m até 2 x 3 m - variedades finas para indústria em espaldeira alta e variedades comuns ou finas para mesa e indústria em “Y”, podendo ser em porta-enxertos mais ou menos vigorosos de acordo com a região de plantio ou o sistema de condução.

 

Espaçamentos amplos - 3 x 3 m até 3 x 5 m - variedades finas para mesa, de grande vigor, em latada, pérgula ou caramanchão.

 

Sistemas de condução: os sistemas de condução mais indicados para as diferentes regiões do Estado de São Paulo são: espaldeira baixa, com 1,60 m de altura, recomendada para cultivares comuns para mesa ou para indústria nas regiões de clima subtropical como Jundiaí e São Miguel Arcanjo; espaldeira média, com 1,70 m de altura, para cultivares comuns para mesa em condições tropicais do estado como Jales e Dracena; espaldeira alta, com 1,95 m de altura, para cultivares de uvas para suco e cultivares híbridas e finas para vinho em todas as regiões do estado.

 

Em “Y”, para cultivares comuns e híbridas de uvas para mesa e indústria, para todas as regiões vitícolas do estado, preferencialmente com cobertura plástica nas regiões mais úmidas ou como alternativa para reduzir o uso de defensivos. Em latada, caramanchão ou pérgula, indicado para cultivares de vigor médio a alto e que necessitem poda média ou longa, para todos os polos vitícolas do estado, porém menos favorável que o “Y” em regiões mais úmidas.

 

Poda: a poda é variável de acordo com a variedade de uva, o estádio de desenvolvimento em que se encontra a planta e o sistema de condução adotado.

 

Poda curta em cordão esporonado - poda dos ramos do ano deixando uma ou duas gemas, recomendada para variedades que apresentem as gemas basais férteis. A planta mantém um ramo ou “cordão” permanente com vários esporões nos quais todos os anos se originam os ramos produtivos a partir da brotação das gemas deixadas na poda. Adequada aos sistemas de condução em espaldeira ou em “Y”.

 

Poda média - poda dos ramos do ano deixando 4 a 5 gemas, recomendada para cultivares com vigor médio, conduzidas em espaldeira, “Y” ou latada.

 

Poda mista ou longa em espinha de peixe - poda dos ramos do ano deixando, de maneira intercalada, ramos longos com 8 a 12 gemas para produzir frutos e ramos curtos com 2 gemas para formação de novos ramos para a poda do ano seguinte; recomendada para variedades cujas gemas férteis localizam-se afastadas da base dos ramos. Adequada aos sistemas de condução em latada e em “Y”.

 

Calagem: antes da implantação do vinhedo, recomenda-se a aplicação de calcário em área total, para elevar a saturação por bases a 80%. Recomenda-se, preferencialmente o calcário dolomítico, sendo incorporado o mais profundamente possível. Em vinhedos implantados, fazer a calagem em superfície na área total.

 

Adubação: Uvas comuns para mesa e para indústria a) Na adubação de implantação, antes do plantio da videira, aplicar, por cova, 10 litros de esterco de curral, ou 3 litros de esterco de galinha, ou 500 g de torta de mamona, em mistura com a melhor terra de superfície e com a adubação mineral, de acordo com a análise do solo, com doses de P2O5 e de K2O variando de 40 a 80 g/cova e de 20 a 40 g/cova, respectivamente.
 
Aplicar, em cobertura, aos 60 e 120 dias após o plantio dos porta-enxertos, 20 g de N por planta, por vez. b) Na adubação de formação, após a enxertia, aplicar, de acordo com a análise do solo, 20 g de N/planta, 10 a 30 g de P2O5/planta, 10 a 30 g de K2O/planta. Esta adubação deve ser realizada em cobertura, ao lado das plantas, parcelando em três vezes, sendo a primeira 30 dias após a brotação e as demais até dezembro.
 
Na adubação de implantação e de formação, consideram-se as quantidades acima utilizando o espaçamento de 2 x 1 m, com 5.000 plantas/ha. Em plantios mais adensados, deve-se ajustar a dose recomendada. c) Na adubação de produção, recomenda-se a adubação mineral de acordo com a análise do solo e a meta de produtividade entre 13 a 22 t ha-1, com doses de N, P2O5 e K2O variando de, 70 a 130 kg ha-1, 80 a 500 kg ha-1 e 60 a 380 kg ha-1, respectivamente. Esta adubação deve ser parcelada em três vezes.
 
A primeira parcela de adubação, que deve ser realizada 60 dias antes da poda, deve conter 100% do P e 50% do K, juntamente com 30 t ha-1 de esterco de curral ou 8 t ha-1 de cama de frango ou 2 t ha-1 de torta de mamona. Após a poda, quando os ramos estiverem com 2 a 3 folhas separadas, aplicar 50% da dose de < >O restante do N e do K deve ser aplicado quando as bagas estiverem entre as fases chumbinho e de meia baga. Deve-se aplicar o N e K em cobertura ao redor das plantas.
 
Em caso de deficiência de boro, quanto o teor no solo for inferior a 0,2 mg dm-3, aplicar 2,5 kg ha-1 na ocasião da poda. Na adubação de implantação, antes do plantio da videira, aplicar, por cova, 40 litros de esterco de curral, ou 10 litros de esterco de galinha, ou 2 kg de torta de mamona, em mistura com a melhor terra de superfície e com a adubação mineral, de acordo com a análise do solo, com doses de P2O5 e de K2O variando de, 100 a 300 g/cova e de 50 a 150 g/cova, respectivamente. Aplicar, em cobertura, aos 60 e 120 dias após o plantio dos porta-enxertos, 30 g de N por planta, por vez. b) Na adubação de formação, após a enxertia, aplicar, de acordo com a análise do solo, 60 g de N/planta, 50 a 150 g de P2O5/planta, 50 a 100 g de K2O/planta.
 
Esta adubação deve ser realizada em cobertura, ao lado das plantas, parcelando em três vezes, sendo a primeira 30 dias após a brotação e as demais até dezembro. Na adubação de implantação e de formação, consideram-se as quantidades acima utilizando o espaçamento de 4 x 2,5 m com 1.000 plantas/ha.
 
c)  Na adubação de produção, recomenda-se a adubação mineral de acordo com a análise do solo e a meta de produtividade entre 23 a 40 t ha-1, com doses de N, P O e K O variando de, 100 a 150 kg ha-1, 120 a 600 kg ha-1 e 120 a 480 kg ha-1, respectivamente. Esta adubação deve ser parcelada em três vezes, de maneira semelhante à recomendação para uvas comuns.

 

 
Controle de pragas: Das raízes - pérola-da-terra ou margarodes - uso de porta-enxertos tolerantes ou inseticidas sistêmicos granulados no solo, como tiamethoxam e imidacloprid; filoxera

- uso de porta-enxertos resistentes;

 

Do tronco e dos ramos - cochonilhas - tratamento de inverno com calda sulfocálcica ou raspando-se o tronco e aplicando óleo emulsionável a 1% mais um inseticida fosforado registrado; coleobrocas - retirar os restos da poda de inverno e queimá-los; cigarrinha-das-fruteiras - poda de inverno e pulverizações com inseticidas fosforados registrados;

 

Das folhas e dos brotos - maromba ou trombeta, grilo-mole, besouro-verde, filoxera na parte aérea, lagarta-das-folhas, besouros - pulverizações com inseticidas fosforados registrados; mosca-branca - imidacloprid e tiamethoxan; ácaros - pulverizações com acaricidas específicos;

 

Dos frutos - traça-dos-cachos - pulverizações com inseticidas piretroides registrados; mosca-das-frutas - ensacamento dos frutos e pulverizações com inseticidas à base de fentiom, triclorfon e malation; tripes - pulverizações com metildicarb.

 
Controle de doenças: Fúngicas - antracnose - pulverizações com fungicidas cymoxanil, mancozeb, tiofanato metílico e difenoconazol; peronóspora ou míldio - pulverizações com fungicidas cobre, mancozeb, maneb, metiram, propineb, ziram, ferbam, folpet, captan, fosetil-alumínio, metalaxil-M, benalaxil, fenamidone e dimetomorfe; oídio - pulverizações com fungicidas azoxestrobin, dinocap, piraclostobin, tolefluanid, fenamirol, difenoconazolmetriram + piraclostrobina, boscalid; mancha-das-folhas - pulverizações com fungicidas mancozeb, tiofanato metílico e difenoconazol; ferrugem - pulverizações com fungicidas calda bordalesa, zineb, maneb, ferbam e captafol; declínio-da-videira e botriodiplodiose: aplicação de tiofanato metílico nos cortes causados pela poda; podridão-amarga - pulverizações com fungicidas captan, ferban e maneb; podridão-da-uva-madura - pulverizações com o fungicida maneb nas bagas, durante todo o ciclo; podridão-negra - pulverizações com os fungicidas maneb e ferban; mofo-cinzento ou botritis - pulverizações com fungicidas captan, folpet, procimidone e iprodione; murcha-de-fusarium ou fusariose< >usar porta-enxertos tolerantes como 1103 Paulsen, 99R e 110R.Bacterianas - Xantomonas - usar material de propagação sadio, originário de locais livres da doença.

 

Vírus - realizar propagação com material isento de vírus, tanto para porta-

-enxertos como para copas.

 

Utilização de biorreguladores: os reguladores vegetais podem ser utilizados, em viticultura, para controle do crescimento vegetativo, aumento da fertilidade das gemas, incremento da fixação de frutos, desbaste de cachos, supressão de sementes, aceleração ou retardo da maturação dos frutos, controle do enrugamento dos bagos, enraizamento de estacas e na micropropagação.

 

Cianamida - para interromper a dormência das gemas utilizam-se químicos a base de cianamida, que são a cianamida cálcica ou calciocianamida e a cianamida hidrogenada. A dose padrão para a cianamida cálcica é de 20%; para a cianamida hidrogenada, de 1,25% a 3,43% em função do clima e das condições de repouso das gemas. Para melhorar a brotação em regiões com clima quente pode-se utilizar o ethephon a 2160 mg L-1 associado à cianamida hidrogenada entre 1,47% a 1,96%.

 

Auxina - com a variedade Niagara, para reduzir as perdas pós-colheita, e a incidência de podridões de frutos pode-se utilizar o ácido alfa naftaleno acético na dose de 150 mg L-1 de um dia a uma semana antes da colheita.

 

Citocinina - dentre os químicos comerciais destacam-se o CPPU (N-(2-cloro- piridil)-N-fenilureia), também denominado forclorofenuron; e o thidiazuron (N-fenil-N- 1,2,3-tidiazol-5-tiureia). Para a Niagara cultivada em regiões tropicais, como o noroeste e oeste do Estado de São Paulo, para melhoria da aderência ao pedicelo e aumento do tamanho da baga, utiliza-se a mistura de thidiazuron 10 mg L-1 com ácido giberélico 35 mg L-1 em pulverização direcionada aos cachos, aos 14 e 28 dias após o florescimento.

 

Giberelina - aplicada em pré-florescimento promove o aumento da ráquis; no florescimento, conforme a variedade, propicia o desbaste ou aumento da fixação das flores. As doses variam com as variedades e o clima dos locais de cultivo.

 

Ácido abscíssico (AAB) - para induzir a coloração da película das bagas em variedades de uvas coloridas cultivadas em locais com pouca ou sem alternância de temperatura entre o dia e a noite, pode-se aplicar o AAB em solução direcionada ao cacho, 7 a 10 dias após a viragem da cor.

 

Colheita:  Regiões leste e sudoeste do Estado de São Paulo: compreendem as regiões de Jundiaí, Indaiatuba, Vinhedo, Valinhos, Louveira, Itupeva, Porto Feliz, Pilar do Sul e São Miguel Arcanjo. Realiza-se a colheita da safra de verão no período de dezembro a fevereiro, sendo proveniente da poda de inverno.
 
Tem-se também a safra de inverno, no período de abril a junho, sendo proveniente da poda do enxerto e da poda de verão realizadas no período de novembro a fevereiro.< >Regiões noroeste e oeste do Estado de São Paulo: compreendem as regiões de Jales, Palmeira d’Oeste, Urânia, Dracena e Tupi Paulista.
 
Realiza-se a colheita da uva no período de junho a novembro, entressafra das regiões leste e sudoeste do Estado de São Paulo. Para isso, realiza-se a poda de produção, nos meses de fevereiro a junho, e a poda de formação dos ramos, nos meses de outubro a novembro.
 
Produtividade: a produtividade da videira depende da variedade, do sistema de condução e do manejo das plantas. Pode variar desde valores abaixo de 10 t ha-1 em cultivos de uvas finas para vinho, em espaldeira, até 12, 15 até 18 t ha-1 para cultivares comuns para mesa ou indústria conduzidas em espaldeira, podendo atingir de 25 a 30 t ha-1, em uvas rústicas ou finas para mesa ou indústria, em “Y”, ainda podendo ainda chegar até 40-50 t ha-1, nas uvas finas para mesa conduzidas em latada.
 
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