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Maça: do plantio à colheita

 

Maçã

Malus spp.

 

A macieira pertence à família Rosaceae, que abrange cerca de 100 gêneros e mais de 2.000 espécies, dentre elas a Malus domestica Borkh., comercialmente explorada. São plantas lenhosas, típicas de clima temperado, porém com cultivares adaptadas a diferentes condições climáticas.

 

É originária da região entre o Cáucaso e o leste da China. São hermafroditas, cuja floração, em regiões subtropicais, pode ocorrer desde o fim de julho até a segunda quinzena de agosto. Floresce nos ramos do ano, em estruturas classificadas em brindilas, dardos e esporões. As cultivares comerciais apresentam elevado grau de autoincompatibilidade, necessitando de polinização cruzada.

 

Quando cultivadas em regiões de clima subtropical e tropical, geralmente não encontram condições térmicas adequadas que satisfaçam suas exigências de frio (acúmulo de horas de frio). Dessa forma, além de se optar por cultivares de baixa exigência em frio, é necessário adotar práticas de manejo complementares. Em regiões subtropicais, notadamente, o desenvolvimento do cultivo de macieiras teve expressão a partir dos trabalhos de melhoramento genético desenvolvidos pelo Instituto Agronômico (IAC), em Campinas (SP).

 

Posteriormente, outras instituições, a exemplo do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI), contribuíram de maneira relevante para o desenvolvimento de cultivares com potencial de exploração comercial, em regiões de inverno ameno.

 

Cultivares recomendadas para  as  condições  subtropicais  paulistas: Eva - cultivar obtida pelo cruzamento entre ‘Anna’ e ‘Gala’, desenvolvida pelo Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), suas plantas apresentam vigor moderado a baixo, necessitando de 200 a 350 horas de frio; apresentam produção relativamente alta; suas frutas, de polpa firme e moderadamente ácida, pesam cerca de 130 g; a maturação, em regiões de inverno ameno, ocorre de meados de novembro a meados de janeiro. Julieta - desenvolvida pelo IAPAR, também utilizada como polinizadora, necessita de 200 a 300 horas de frio; suas frutas são de tamanho médio com sabor doce, levemente acidulado, sendo colhidas, em regiões de inverno ameno, do início de novembro a meados de janeiro.
 
Princesa - introduzida e selecionada pela EPAGRI, suas plantas são semivigorosas e muito produtivas; adapta-se a regiões que propiciam de 250 a 450 horas de frio; suas frutas, de polpa firme e moderadamente ácida, pesam cerca de 145 g; a maturação ocorre, em regiões de inverno ameno, de meados até o fim de janeiro.
 
Baronesa - desenvolvida pela EPAGRI, do cruzamento entre ‘Fuji’ e ‘Princesa’; suas plantas são vigorosas e produtivas; necessita de pelo menos 500 horas de frio, portanto é restrita às regiões mais frias (de maior altitude) do Estado de São Paulo; suas frutas, de polpa firme e moderadamente ácida, pesam cerca de 130 g e a maturação ocorre de meados de dezembro a meados de fevereiro.
 
Rainha - lançada pelo Instituto Agronômico (IAC), foi obtida da hibridação controlada entre ‘Golden Delicious’ e ‘Valinhense’; suas plantas são semivigorosas e produtivas; suas frutas, de polpa macia e moderadamente ácida, pesam 180 g e amadurecem de meados de dezembro a fim de janeiro; indicada para as regiões mais altas do estado.
 
Condessa - desenvolvida pela EPAGRI, obtida pelo cruzamento entre ‘Gala’ e uma seleção local de baixa exigência em frio; plantas de vigor médio e produtivas; necessita de 300 a 500 horas de frio, adaptando-se melhor a locais de maior altitude; suas frutas, de polpa macia e moderadamente ácida, pesam cerca de 120 g, com maturação do início de dezembro a meados de janeiro.
 

Porta-enxertos: para regiões de inverno ameno, os porta-enxertos M-7 e Marubakaido (também chamado de Maruba) com o filtro M-9, têm apresentado bom desempenho agronômico.

 

Clima e solo: as cultivares comerciais recomendadas para as condições paulistas, necessitam, em média, de 200 a 300 horas de frio, inferior a 7,2 oC. Quanto aos solos, priorizar aqueles com boa drenagem, de maior profundidade e com bons teores de matéria orgânica.

 

Práticas de conservação do solo: as estratégias mais recomendadas são o plantio em nível, o terraceamento (em terrenos muito declivosos), o cultivo mínimo e a manutenção das entrelinhas vegetadas e roçadas.

 

Propagação: não se recomenda a propagação por sementes. Para a macieira a propagação por dupla enxertia é uma técnica muito empregada, na qual, simultaneamente, enxerta-se um garfo da cultivar-copa em um ramo do interenxerto (filtro) e, posteriomente, no porta-enxerto. As partes são unidas pelo método da garfagem tipo “inglês complicado”.

 

Plantio: é realizado, geralmente, durante o período de dormência das plantas, em covas de 50 x 50 x 50 cm, previamente preparadas. Durante o preparo acrescentam- -se nutrientes (adubos químicos e orgânicos) na porção de solo correspondente aos primeiros 20 centímetros superficiais, que retornará primeiramente ao fundo da cova.

 

O volume retirado abaixo dessa profundidade preencherá o restante da cova e também será utilizado para a confecção da “bacia de retenção”. A utilização de cobertura morta ao redor das mudas contribui para a manutenção da umidade disponível. Recomenda-se a utilização de 13% de polinizadores no pomar.

 

Espaçamento: para copas vigorosas e porta-enxertos ananicantes, sugere-se espaçamento de 4,00 x 1,50 m a 3,75 x 1,00 m; para cultivares-copa semivigorosas, espaçamentos de 4,00 x 1,00 m a 3,75 x 0,80 m. Em condições que favoreçam maior desenvolvimento vegetativo, sugere-se a adoção de espaçamentos mais amplos (4,00 x 1,50 m).

 

Mudas necessárias: para copas vigorosas e porta-enxertos ananicantes, de 1.667 a 2.667 plantas/ha; para cultivares-copa semivigorosas, de 2.500 a 3.333 plantas/ha.

 

Calagem: a quantidade de calcário deve ser calculada com base em análise química do solo, cuja amostragem deve ser feita de forma criteriosa e tem por objetivo elevar a saturação de bases a 70%, observando níveis adequados de magnésio. A quantidade deve ser aplicada em área total durante o preparo do solo, ou seu equivalente quando em cultivo somente na faixa de plantio.

 

Adubação: plantio - cada cova deve receber pelo menos 8 L de esterco de curral curtido ou 3 kg de esterco de galinha ou ainda 5 L de compostagem, 300 g de calcário, pelo menos, 400 g de superfostato simples e 60 g de K2O; ao início das brotações, fornecer quatro parcelas de 15 g de N por planta, espaçadas de 2 em 2 meses; formação

 

- a) pomares adensados: do primeiro ao quinto ano, fornecer anualmente de 40 a 160 g de nitrogênio, 20 a 200 g de P2O5 e 20 a 240 g de K2O por planta, com base em análise do solo e idade das plantas; b) pomares convencionais: do primeiro ao quinto ano, fornecer anualmente de 50 a 200 g de nitrogênio, 20 a 240 g de P2O5 e 20 a 240 g de K2O por planta, com base em análise do solo e idade das plantas; produção - a) pomares adensados: fornecer anualmente de 120 a 240 kg de nitrogênio, 30 a 180 kg de P2O5, 40 a 200 kg de K2O por hectare, além de 3 t ha-1 de esterco de galinha ou 15 t ha-1 de esterco de curral curtido; b) pomares convencionais: fornecer anualmente de 100 a 200 kg de nitrogênio, 20 a 120 kg de P2O5, 30 a 140 kg de K2O por hectare, além de 2 t ha-1 de esterco de galinha ou 10 t ha-1 de esterco de curral curtido, sendo as adubações químicas, calculadas com base em análise do solo e produtividade estimada.

 

As adubações de formação e produção devem ser parceladas em quatro vezes, após o início da brotação, a cada dois meses.

 

Poda de formação: macieiras podem ser conduzidas de diversas formas, como por exemplo: a) “líder central modificado” - consiste no desponte da muda no campo, a 80-90 centímetros acima do ponto de enxertia, para obter um ramo central vigoroso e brotações laterais desenvolvidas; selecionam-se 5 a 8 brotações laterais a 50 cm do solo, deixando o líder crescer livremente; deixar as brotações laterais crescerem até 70 a 90 cm de comprimento e arqueá-las com auxílio de fitas plásticas.

 

Assim, ao longo dos anos de formação da planta, a 50-60 cm acima do solo, busca-se formar o primeiro andar, o segundo aos 50-60 cm acima do primeiro e, aos 60-70 cm, acima do segundo patamar, forma-se o terceiro andar, buscando-se o equilíbrio vegetativo e estrutural da planta. A partir do terceiro ano não se desponta mais o líder central, salvo em situações extremas, como quebra do mesmo, por exemplo.

 

Poda de frutificação: realizada durante o período de dormência das plantas, por meio do encurtamento de ramos, desponte de ramos novos, eliminando-se, também, ramos de crescimento vertical (ladrões), quebrados, doentes e aqueles em excesso na planta, buscando-se equilíbrio vegetativo e produtivo, além da manutenção da arquitetura da planta.

 

Poda verde: realizada após a colheita em plantas formadas, eliminando-se o excesso de ramos, principalmente aqueles localizados no interior da copa; os ramos arqueados devem ser despontados, preservando-se de 50 a 70 cm do comprimento original, dependendo do espaçamento e do vigor da planta.

 

Principais problemas fitossanitários: pragas - em regiões subtropicais e tropicais, maiores prejuízos são decorrentes dos ataques de mariposa-oriental (Grapholita molesta), mosca-das-frutas (Anastrepha fraterculus), cochonilhas, pulgões e ácaros, sendo que estes dois últimos ocorrem com maior incidência no fim da primavera e início do verão; o gorgulho-do-milho (Sitophilus zeamais), embora praga secundária, pode ocasionar sérios danos à cultura; doenças - sarna (Venturia inaequalis), entomosporiose (Entomosporium maculatum), seca-dos-ramos (Botryosphaeria ribis), mancha foliar de Glomerella, oídio e podridão-amarga (Glomerella cingulata).

 

Controle de pragas e doenças: deve-se respeitar a legislação vigente relativa ao uso de defensivos agrícolas, quanto ao agente biológico e à cultura, atentando nas recomendações do fabricante.

Desfolha: em regiões onde não ocorre a queda natural das folhas, a desfolha estimula a brotação; geralmente é realizada de 30 a 45 dias antes da poda de frutificação, utilizando a calda sulfocálcica a 12%, na concentração de 32 oBé.

 

Superação artificial da dormência - em regiões ou anos em que haja insuficiência de horas de frio, aplicar 0,5% a 1% de cianamida hidrogenada, acrescida de 3% de óleo mineral.

Raleio de frutas - para produção de frutas com qualidade comercial adequada, estima-se que uma proporção de 30 a 40 folhas por fruta é necessária; geralmente, o raleio é realizado de 20 a 40 dias após a plena florada.

 

Tratamento de inverno: pulverizar as plantas com caldas à base de cobre.

Colheita e armazenamento: as primeiras produções iniciam-se no 3.o ano após o plantio, porém produções regulares, somente após o 5.o ano de cultivo. Nas condições climáticas paulistas, em função das cultivares e região, as frutas são colhidas entre meados de dezembro a meados de fevereiro.

 

As frutas devem ser colhidas em condição de maturação adequada, e esta depende da cultivar e do tempo de armazenamento (curto, médio, longo, ou comercialização imediata - mercado interno ou exportação). Não se deve deixar as frutas colhidas expostas ao sol, transportando imediatamente para o packing house, evitando-se golpes e danos durante o transporte.

 

Os melhores indicadores para verificação do ponto de colheita de maçãs são firmeza de polpa, índice de amido, teores de sólidos solúveis e acidez titulável e cor de fundo da epiderme. É importante colher as frutas antes da degradação do amido se completar, geralmente quando apresentam índice de 2 a 3 e cor de fundo verde-claro. Os demais indicadores são muito particulares de cada cultivar. Não colher as maçãs precocemente ou tardiamente, pois ambas as situações encurtam a vida útil pós-colheita, aumentam a incidência de distúrbios fisiológicos, promovem maior desidratação na câmara, entre outras desvantagens.

 

A capacidade de armazenamento de maçãs varia amplamente de acordo com a cultivar, área de produção, práticas culturais, condições climáticas e estádio de maturação na colheita. Deve-se tomar cuidado quando o período de armazenamento é prolongado, pois as frutas podem apresentar perda de firmeza da polpa e suculência, ficando com textura farinhenta, podendo também ocorrer rachaduras ou outros distúrbios fisiológicos, como a degenerescência de polpa e escaldadura superficial.

 

A temperatura de armazenamento ideal para a maioria das cultivares de maçã é de 0 ± 1 oC e 92% a 96% de umidade relativa, por até quatro meses. O uso de atmosfera controlada associada à baixa temperatura, permite um aumento de 50% a 80% no período de armazenamento das maçãs, podendo chegar a 10 meses, dependendo da cultivar. O armazenamento em atmosfera controlada (AC) baseia-se no princípio da modificação da concentração de gases na atmosfera natural, ou seja, a concentração de CO2 é aumentada e a de O2 é reduzida. De maneira geral, a concentração de CO2 é de 0,5% a 4% e O2 de 1% a 1,8%, porém, deve-se prestar atenção na recomendação específica para cada cultivar, pois algumas toleram maiores concentrações de CO2, enquanto outras não.

 

Produtividade: estima-se uma produtividade variando de 25 a 35 t ha-1 de maçãs, em pomares adultos e bem conduzidos. Podem ocorrer variações nesses valores, em função da tecnologia empregada e do espaçamento adotado.

 

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