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Banana: do plantio à colheita

Banana Musa spp.

 

As bananeiras pertencem à família botânica Musaceae e são originárias do Extremo Oriente. São plantas típicas das regiões úmidas com crescimento contínuo, paralisando seu desenvolvimento em temperaturas abaixo dos 13 oC. As cultivares de interesse comercial apresentam altura que varia de 1,8 a 6,0 m.

 

Dada à característica de emitir sempre novas brotações do rizoma principal, denominadas filhos, filhotes, perfilhos ou rebentos, o bananal é permanente na área, porém com as plantas se renovando ciclicamente. A banana é um alimento energético, sendo composta basicamente de água e carboidratos, contendo pouca proteína e gordura. É rica em sais minerais como sódio, magnésio, fósforo e, especialmente, potássio. Há predominância de vitamina C, contendo também A, B2, B6 e niacina, entre outras.

 

Cultivares: algumas características agronômicas das principais cultivares de

bananeira são apresentadas nas tabelas 1 e 2.

 

Clima e solo: a temperatura ideal para a bananeira está entre 20 e 30 oC,

sendo aceitável a faixa de 13 a 35 oC. Temperaturas acima de 35 oC e, especialmente, abaixo de 12 oC provocam paralisação no desenvolvimento e danos aos frutos (chiling ou friagem). As cultivares do subgrupo Cavendish são mais sensíveis ao frio, enquanto a “Maçã” e as cultivares do subgrupo Prata são mais tolerantes. É importante evitar áreas com ocorrência de geadas ou de ventos fortes.

 

O total de chuvas por ano deve ser superior a 1.200 mm, bem distribuídas durante o ano. A cultivar Ouro é pouco tolerante à falta de água, enquanto as do subgrupo Cavendish são medianamente tolerantes e as demais resistem mais a períodos de seca. Umidade relativa alta, acima de 80%, favorece o desenvolvimento das plantas, entretanto, em áreas mais úmidas há maior incidência de doenças nas folhas e frutos. Preferir solos bem drenados (lençol freático abaixo de 60 cm), pouco acidentados e evitar áreas sujeitas à inundação.

 

Práticas de conservação do solo: plantar em nível; na formação do bananal

em relevo acidentado, utilizar plantas de cobertura nas entrelinhas no primeiro ciclo de produção ou manter o solo coberto, manejando a vegetação espontânea com roçadeira ou herbicida de contato. Dispor os pseudocaules cortados em fileiras nas entrelinhas, formando curvas de nível. Implantar as demais práticas conservacionistas, como terraceamento, cordões de vegetação permanente, entre outras, de acordo com as condições de cultivo locais.

 

Propagação: recomenda-se o plantio de mudas produzidas por biotecnologia, também conhecidas como mudas micropropagadas, as quais devem ter garantia quantoao percentual máximo de ocorrência de mutação somaclonal e ser isentas de pragas e doenças. As mudas micropropagadas são precoces, apresentam maior número de perfilhos e potencial produtivo. Ainda é possível utilizar mudas produzidas pelo “método tradicional” (rizoma, pedaço de rizoma, chifrinho, chifre ou chifrão), desde que sejam coletadas em áreas livres de nematoide, broca ou mal-do-Panamá e tratadas, visando impedir a transmissão de pragas e doenças para os bananais novos.

 

Plantio: as mudas oriundas de propagação vegetativa (rizoma, pedaço de rizoma, chifrinho, chifre ou chifrão) devem ser escalpeladas e desinfestadas com solução de hipoclorito de sódio, para eliminar pragas como broca e nematoides. As mudas produzidas por biotecnologia devem estar aclimatadas adequadamente e transplantadas no campo com cerca de 4 a 6 folhas e 30 a 40 cm de altura. O plantio de ambos os tipos de mudas pode ser feito em covas (30 x 30 x 30 cm) ou sulcos (30 cm de profundidade).

 

Sessenta dias após o plantio, proceder amontoa ou fechamento dos sulcos. A melhor época de plantio é no início da primavera, quando ocorrem temperaturas amenas e aumenta a precipitação. Dispondo de irrigação, o plantio pode ser feito o ano todo.

 

Espaçamento: cultivares de porte baixo ou médio devem ser plantadas em espaçamento de 2,0 x 2,0 m ou 2,0 x 2,5 m; para cultivares de porte alto, 2,0 x 3,0 m ou 3,0 x 3,0 m. Em plantios irrigados, utilizar fileiras duplas; para cultivares de porte baixo ou médio, o espaçamento deve ser de 3,0 x 2,5 x 1,0 m; para as de porte alto, 4,0 x 2,5 x 1,0 m.

 

Mudas necessárias: cultivares de porte baixo ou médio - 2.000 ou 2.500 mudas por hectare; porte alto - 1.111 ou 1.667 mudas por hectare.

 

Adubação e calagem: as recomendações de adubação e calagem devem ser

estabelecidas a partir da análise do solo e de metas de produtividade. A calagem deve ser calculada visando elevar o índice de saturação por bases para 60% e o teor de magnésio acima de 9 mmolc dm-3. Usar sempre calcário dolomítico, aplicado em área total e incorporado ao solo.

 

Adubação de plantio: aplicar por cova 10 litros de esterco de curral ou 2 litros de esterco de aves e a metade da dose de fósforo da apresentada na tabela 3, estabelecida a partir da análise do solo e da produtividade esperada. Em solos com menos de 1,3 mg dm-3 de Zn, aplicar, no plantio, 5 kg ha-1 de Zn. O adubo orgânico deve estar bem curtido e ser misturado com a terra no fundo da cova ou sulco. 

 

Adubação de formação: as doses de adubo por planta levando em consideração a meta de produtividade para a primeira safra, os teores de P e K do solo e o espaçamento do bananal. Aos 30-40 dias após o plantio, aplicar 20% das doses de N e K recomendadas na tabela abaixo. Aos 70-90 dias, aplicar o restante da adubação fosfatada e 50% das doses de N e K e aos 120-150 dias, o restante da adubação N e K. Aplicar os fertilizantes em círculos de 100 cm de diâmetro ao redor da planta. Utilizar fontes de N ou P capazes de fornecer, anualmente, 30 kg ha-1 de S.

 

Adubação de produção: as doses de N, P e K por família a serem aplicadas em cada safra deverão ser ajustadas  em função da meta de produtividade, dos teores de P e K verificados na análise do solo e do espaçamento do bananal. Em áreas sujeitas a períodos de seca sazonais, a adubação deverá ser parcelada em três aplicações (início, meio e fim da estação das chuvas), distribuindo o adubo em uma faixa de 100 cm, em semicírculo, na frente do rebento mais jovem (sentido do caminhamento do bananal). Em áreas onde as chuvas forem bem distribuídas no ano ou com irrigação, parcelar a adubação de produção em seis aplicações ao longo do ano.

 

O parcelamento das doses de N e K é importante para aumentar a eficiência destes fertilizantes. Outra forma de aumentar a eficiência do N e K aplicados é fazer a adubação via água de irrigação (fertirrigação), o que permite elevar o rendimento em frutos com mesma dose de adubo, em relação à aplicação convencional na superfície do solo. Utilizar fontes de N ou P capazes de fornecer, anualmente, 30 kg ha-1 de S.

 

Adubação com micronutrientes: quando diagnosticada deficiência, aplicar anualmente 25 g de sulfato de zinco e 10 g de ácido bórico, em orifício aberto no rizoma com auxílio da “Lurdinha”, por ocasião do desbaste.

 

Controle de pragas: broca e nematoides - plantar somente mudas livres dessas pragas, visto que mudas contaminadas são uma das principais formas de introdução desses patógenos em bananais novos; aos 30 dias após o plantio, aplicar nematicida sistêmico rente à muda e antes da amontoa ou fechamento do sulco, repetindo o tratamento após 6 meses. Em mudas obtidas por biotecnologia e em áreas livres de nematoide, não é preciso fazer esse tratamento no plantio. No bananal em produção, aplicar o nematicida logo após a colheita, dentro do pseudocaule da planta-mãe com o auxílio da “Lurdinha”.

 

Após seis meses, repetir o tratamento dividindo a dose entre os filhos desbastados. Para o controle de broca, utilizar iscas tipo queijo ou telha (20 a 30 iscas/ha), tratadas com inseticida, nematicida ou inseticida biológico (Beauveria bassiana).

 

Tripes – esses pequenos insetos causam danos na casca dos frutos, depreciando seu valor comercial.

Como medidas de controle, recomendam-se a eliminação dos “corações”, bem como o posterior ensacamento dos cachos com sacos de polietileno.

 

Controle de doenças: vírus - utilizar mudas micropropagadas certificadas quanto a ausência de vírus; eliminar todas as plantas do bananal com sintomas, para evitar a disseminação.

 

Sigatoka amarela - os sintomas nas folhas iniciam-se por pontuações com leve descoloração, passando por estrias cloróticas e manchas necróticas elípticas, alongadas e dispostas paralelamente às nervuras secundárias.

 

Essas lesões têm a parte central acinzentada, bordas amarelecidas e podem coalescer, comprometendo uma grande área foliar. Sigatoka negra - muito mais agressiva e destrutiva que a Sigatoka amarela, pois além de infectar as folhas novas ataca também as folhas velhas, sendo seus sintomas iniciados com descoloração em forma de pontos ou estrias na cor “café”, entre as nervuras secundárias da segunda à quarta folha a partir da vela, sendo observada somente na face inferior das folhas. As lesões iniciais progridem para estrias pretas, observadas somente na face superior da folha e evoluem para lesões negras, contrastando com as de cor marrom da face inferior, podendo avançar para todas as folhas da planta.

 

A tomada de decisão do momento da aplicação de fungicidas deve se basear no monitoramento da severidade da doença. A aplicação de fungicidas a partir de calendário fixo ou da simples observação pode resultar em controle ineficiente, ou uso desnecessário de produtos químicos. Alternar princípios ativos dos fungicidas, para evitar a resistência dos fungos.

 

Mal-do-Panamá - as plantas apresentam amarelecimento progressivo a partir das folhas mais velhas para as mais novas, com posterior quebra do pecíolo junto ao pseudocaule, o que confere à planta a aparência de um guarda-chuva fechado.

 

Observam-se inicialmente, em cortes transversais e longitudinais do pseudocaule ou do rizoma de plantas doentes, pequenas manchas isoladas de coloração preta que, em estádio mais avançado, evoluem para pontuações de coloração pardo-avermelhada. No rizoma, a descoloração é mais pronunciada na área de densa vascularização, podendo-se observar que a planta-mãe está contaminando os filhos com a troca de seiva que ocorre entre eles.

 

Devido ao entupimento dos vasos da planta-mãe, há paralisação da circulação da seiva e ela seca em poucos meses. Utilizar cultivares tolerantes e adubação equilibrada, bem como nutrição com micronutrientes. O inóculo da doença permanece no solo por vários anos, o que impede o plantio de cultivares suscetíveis na mesma área.

 

Instruções agrícolas para as principais culturas econômicas

 

Reforma do bananal: efetuar reformas periódicas dos bananais. Um indicador

de ordem prática do momento em que o bananal exige uma reforma é a inexistência de neto, quando da colheita da planta-mãe. Produtividade decrescente e redução da resposta à adubação também indicam o momento de reformar o bananal.

 

Outros tratos culturais: após as adubações, eliminar as folhas velhas com penado ou facão e retirar as brotações supérfluas (desbaste), deixando apenas uma família por cova. Manter o solo do bananal sempre coberto com vegetação espontânea ou com material orgânico proveniente do desbaste e desfolha. Em terrenos declivosos, fazer somente roçadas ou usar herbicida de contato, evitar mobilizar o solo.

 

O escoramento (tutoramento) das bananeiras é necessário em regiões onde há ocorrência de ventos fortes. Dependendo da cultivar e dispondo-se de quebra-ventos eficientes, não há necessidade de escorar as plantas. Entretanto, em bananais com ataque severo de nematoide ou broca ou em bananais com deficiência de cálcio ou magnésio, deverá ser feito o escoramento, para reduzir as perdas por tombamento das bananeiras. Utilizam-se bambus e fitilhos de polietileno para escorar as plantas.

 

Colheita: no momento da colheita, o pseudocaule deve ser cortado parcialmente o mais alto possível, fazendo com que o cacho desça até a altura do ombro colhedor. Cortar o engaço sem que o cacho toque no solo. Os cachos devem ser retirados do bananal tomando-se cuidado para evitar danos mecânicos aos frutos, os quais depreciam seu preço de venda. Empregar carretas forradas com espuma ou cabo aéreo no transporte dos cachos até a casa de embalagem.

 

A colheita deve ser feita quando a fruta atingir a plenitude de seu desenvolvimento (mercado interno), ou segundo o diâmetro de fruta solicitado pelo importador.

 

Produtividade normal: um cacho por pé ao ano, variando de 10 a 50 kg segundo a cultivar. A produtividade por área pode variar de 10 a 60 t ha-1 em função da cultivar, do manejo do bananal e das condições edafoclimáticas.

 

Culturas intercalares: feijão de mesa, apenas no período de formação. Não

usar gramíneas.

 

Comercialização: a comercialização de frutos é realizada em pencas ou buquês de 6 a 8 bananas, acondicionados em embalagens padronizadas (caixa de madeira, papelão ou plástico). Frutos para mercados próximos podem ser climatizados (maturação controlada em estufa) nas regiões produtoras e para áreas mais distantes, climatizar no destino.

 

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